19 de junho de 2013

Evolução

Por Ewerton Machadocolaborador da Revista Vaidapé. 

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(Foto André Zuccolo)

Três pessoas andavam, pela multidão. Eram elas: João, José e Maria.

E logo no inicio, querendo mostrar serviço, João, gritava enfurecido sem noção do que fazia, do que falava, repetia frases incoerentes, fingia fazer parte, estava lá para não entender, para confundir.

José sabia que aquilo tudo não adiantaria. Pensava: – Eu, já sabia; – Eu já sabia. Estava saindo do trabalho, naquele momento, decidiu ficar. Ficar e ver. Mas não fez de propósito, estava amortecido mentalmente, depois de anos apenas acordando para fazer o que outros lhe exigiam que fizesse, anestesiou-se. Criou uma camada, uma espécie de armadura contra seus próprios desejos. No trabalho não chegou um dia atrasado, não tinha faltas, mas perdera o brilho no olhar. Acostumou-se a não demonstrar sensibilidade e cada vez mais, tornou-se distante e apático. Foi promovido, trocou de carro, encheu a geladeira e levou os filhos a escola. Não se enxergava, estava ali e não estava.

Maria, feliz pelo ar de mudança, sentia-se leve, eufórica, via uma infinidade de oportunidades. Via ideias que se encontravam. Sonhos que se abraçavam. Não havia lados, torcida, havia sim uma direção que apontava para algo, longe, distante, mas não mais inalcançável. Sua mãe preocupada ligou pra ela. Ao ouvir pelo telefone a preocupação de sua mãe, que assistia tudo pela televisão, ela calmamente responde: Estou bem, estou bem.

Prosseguiu com a caminhada, acreditando que passo a passo, o sonho se aproximava e não eram incêndios, depredações, insanidade comprada, que a faria desistir. Aliás, ela sabia inexplicavelmente que grandes sonhos, exigem determinação.

E essas três pessoas se encontram, fazendo coisas diferentes, pensando diferente. E nem por isso deixaram de estar juntas, onde todos deveriam estar. Rumo ao progresso.

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