17 de julho de 2013

Indignai-vos

Por Ewerton Machado, colaborador da Revista Vaidapé.

desarmamento

O lema da Bolívia é “La unión es la fuerza” (a união é a força). Os países europeus que fecharam os espaços aéreos para o avião presidencial, sabiam muito bem o que isso significava e utilizaram de forma vil e calculista, ora, no mínimo cometeram um absurdo à vida de Evo Morales, que teve que aterrissar urgentemente em Viena, capital da Áustria – presidente eleito democraticamente desde 2005. O que também é uma quebra de tratados internacionais.

A grande questão é: porque existe uma atitude assim tão hostil e virulenta, capaz de nos infectar com sentimentos de revolta e indignação? Será que os países do velho continente ainda pensam nos países latino-americanos como suas colônias, e, portanto sentem-se no direito de impedir a bel-prazer a utilização de seus respectivos espaços aéreos? É realmente impensável que algumas políticas internacionais funcionem de acordo com a inteligência americana, se assim o fosse, a soberania de múltiplas bandeiras estariam a serviço de uma só. E, em pleno século 21, onde avanços tecnológicos são demonstrados quase diariamente e a demanda por telas maiores é cada vez mais impositiva, dando a impressão de uma verdadeira guerra no setor familiar, ou seja, a tevê cada vez maior entra, e a conversa apanha e se despede, já que a atenção vai toda para um equipamento onde, se trocam palavras entre as pessoas, por irrealidades muitas vezes americanizadas, seja nos filmes, seja nas programações locais.

Eu entendo que consumo está totalmente ligado ao estilo de vida, o que não entendo é que nós quando somos humilhados internacionalmente, continuamos calmos e submissos e ainda por cima continuamos a assistir filmes ou novelas onde o bandido (a), aparentemente é índio, negro ou mulato e os heróis vencem somente através da pancada, tiro, trovão. Não são todos os filmes assim, mas muitos os são. E isso se estende a pseudo-comédias, que caracterizam a mulher por sua condição social, cultural e étnica. O que no fim das contas não deixa de ser uma moeda corrente, num mercado que é regido pela manutenção de conteúdos fúteis sem a menor responsabilidade social.

Entretanto, se estamos sendo forçados para um lado é imprescindível o nosso esforço conjunto para contribuir com políticas que também avancem em outras direções, que atuem no mercado, justamente para que filmes nacionais tenham tanto espaço quanto os blockbusters, sendo assim vou utilizar um trecho do excelente ensaio de Stephane Hessel, sobrevivente do nazismo, embaixador francês, que infelizmente faleceu, este ano, precisamente em fevereiro. Chama-se, “Indignai-vos”.

Por isso apelamos sempre para “uma verdadeira insurreição pacífica contra os meios de comunicação de massa, que, como horizonte para os nossos jovens, só sabem propor o consumo de massa, o desprezo aos mais fracos e à cultura, a amnésia generalizada e a competição desenfreada de todos contra todos”. (Stephane Hessel)

Portanto, Indignai-vos.

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