10 de agosto de 2013

Quem é você que fala o que quer?

Por João Miranda

20130810-144937.jpg

“O mal-ajambrado José Mujica…”[1] não é (e nem poderia ser) a observação de uma consultora de moda (ou modos). É de alguém supostamente qualificado para o exercício do jornalismo… na revista Veja (onde mais?)

É interessante observar o descontentamento com uma ação política se transformar em preconceito, em “nojinho” voltado a quem não está nem aí com as aparências mas, sim, com a realidade.

Agredir a pessoa do opositor e não às suas idéias é uma das táticas de desinformação e um hábito recorrente à prática fascista. Não deixa de ser uma façanha propor-se a escrever uma crítica sem conseguir apresentar, em um único parágrafo sequer, um modelo ou uma proposta de combate ao narcotráfico; ignorar anos e anos de pesquisa científica sobre o tema, bem como, sobre o mesmo tema, a legislação vigente em outros países.

Escrever para agradar a parcela da população que já é intolerante, pode ser bom para, ao menos, impedir um declínio maior na venda de um veículo ‘em baixa’ como se diz por aí. Mas em nada contribui para a solução de um problema a pedir ousadia e não elegância por parte daqueles que, de fato, tem algo concreto para oferecer à sociedade.

Não sei porque, me ocorreu agora lembrar de um palhaço do meu tempo de escola… esse palhaço me fazia rir à beça com o que dizia… coisas engraçadíssimas… muito divertidas, embora sem nenhuma utilidade a não ser fazer rir. A mim e a meus amigos. As crianças que hoje não somos mais.

A questão é: este tipo de mensagem, de conteúdo agressivo, fascista, será isto a informação mais veiculada no país? Se for… dançamos. Eu e meu País.

A disseminação de uma ideologia contrária à pluralidade das idéias; que prefere alienar um estudante dos livros de História (por, supostamente, já existirem os que sabem e pensam por ele); e favorável à obrigatoriedade (ah! essa palavra…) da presença do aluno em uma sala de aula, são exemplos de ‘informações’ acessadas, lidas e tomadas como referência por milhões de pessoas…

Mas felizmente pude ter excelentes aulas de História e Geografia, dadas por professores maravilhosos, que me ajudaram a enxergar um mundo plural, bem diferente, mas muito diferente, do monolítico imaginário fascista.

Mas nem tudo está perdido. A internet está vingando exatamente por conter uma pluralidade enorme de questões e respostas que só dependem de nós para serem compartilhadas, re-compartilhadas e DEBATIDAS.

Vejo uma necessidade alarmante de lutarmos contra as patifarias e os preconceitos. Não só os semanais, mas, também, os diários.

Sou chutado diariamente de “petralha”, “vermelho”, “comunista”… logo eu, que nunca tive paciência pra ler Marx direito. Vá entender essa geração… Ou melhor, essas…
______________________________________________________
[1] http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-mal-ajambrado-jose-mujica-quer-transformar-o-uruguai-no-primeiro-narcoestado-oficial-do-mundo-maioria-da-populacao-e-contra/

A RUA GRITA

Volta Negra: a história do negro no Centro de São Paulo

Novo ciclo de caminhadas da Volta Negra começa neste sábado e tem atividades programadas para os próximos dois meses

A RUA GRITA

Últimos 3 dias para ajudar: Cora Primavera vai às ruas!

Criado pela Cia. Nada Pensativo, peça Cora Primavera aborda questões como transfobia e violência contra … Continuar lendo Últimos 3 dias para ajudar: Cora Primavera vai às ruas!