15 de setembro de 2013

Terry Day, a arte por conta e risco

Por Rodolfo Almeida

Terry Day veio pela primeira vez ao Brasil
Terry Day veio pela primeira vez ao Brasil e fez show no CCSP

Entre alguns círculos de estudantes de música existe a crença de que é sempre um grande mestre o responsável por um grande músico. Terry Day discorda. Nascido em 1940, na Inglaterra, o luthier, artista plástico, poeta, músico e professor é autodidata.

Cresceu em meio a uma família de jazzistas, se acostumando desde pequeno à sonoridade fragmentada do bebop e às diferentes influências sonoras trazidas a seu lar. Aprendeu por conta própria teoria musical e logo passou a se apresentar com bandas locais, tocando bateria, flauta e piano e estendendo sua pesquisa musical.

Na década de 60, passou a se envolver com a música experimental e o improviso, onde encontraria sua área de expressão definitiva. Entre as dezenas de bandas e projetos que participou, fundou a lendária “People Band”, precursora da ideia de um fazer artístico sem material composto previamente.

Na última quinta-feira, dia 12, aos 73 anos, Terry se apresentou pela primeira vez no Brasil, no Centro Cultural São Paulo, pela programação do Mês da Cultura Independente, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura, e mostrou o caminho de seu auto aprendizado.

Sozinho no palco com uma série de instrumentos, Terry é pura experimentação. Usa flautas de bambu construídas por si próprio, aproximando-as de garrafas e explorando as diferentes vibrações do plástico. Enche e esvazia bexigas, usando-as como baquetas na bateria e brincando com os sons do ar que escapa.

Caminha pelo palco procurando diferentes ressonâncias com a acústica e os objetos do ambiente. Senta ao piano, criando melodias sensíveis que logo desconstrói, golpeando as cordas do instrumento com as mãos. Engata uma estrutura rítmica definida que logo abandona, dando espaço a ritmos caóticos e explora as barreiras tradicionais do fazer artístico, criando um jogo de ordem, técnica, desconstrução e impulso.

Próximo ao fim da apresentação, Terry ergue uma folha sulfite e declama suas letras (que evita chamar de poemas). Com a voz cantada, grita ao microfone os versos de “Troubled Times”: “Os cães da guerra estão na porta / Latindo em nossos calcanhares / O veneno podre mancha a nós todos / Ó, Humanidade / Como rezo por ti”.

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