12 de novembro de 2013

Sociedade do Futuro

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Arte: Grupo OPNI

Por Ewerton Machado

A tecnologia realmente é uma ferramenta indispensável.

Mas é possível perceber que ao mesmo tempo, pouco a pouco perdemos um item fundamental no desenvolvimento em sociedade: a “imprevisibilidade”.

A cada dia nos oferecem lançamentos e mais lançamentos, novidades e mais novidades.

O resultado desse processo é a imperialização do indivíduo. É como estar no bar em uma mesa cheia de amigos e a maioria conectada com o “mundo virtual”.

Esse distanciamento em um primeiro momento é considerado comum, porém, a noção do que significa “comum” ou “normal” é relativa.

Assumir a condição da globalização desenfreada é, no mínimo, perigoso e isso influencia o cotidiano que muda a cada segundo.

O engraçado é o antagonismo da realidade no dia-a-dia.

Sabemos tudo o que vai acontecer. Somos agraciados com a usurpação do nosso próprio tempo, mesmo sabendo que vivemos em contagem regressiva.

Sabemos que para ir ao trabalho teremos que enfrentar um ônibus lotado e a viagem demora em média 120 minutos, isso de segunda a sexta, fora aquela hora extra de fim de ano para garantir a “ceia”.

E então trocamos o ônibus lotado pelo carro com ar condicionado, mas o trajeto aumenta o tempo em 30 minutos.

Graças à tecnologia podemos verificar através das redes “sociais” o quão miserável é a vida de outra pessoa, instantaneamente podemos “viver uma vida virtual” já que é impossível viver a realidade.

E essa lógica acaba sendo transmitida incessantemente. É natural, delegamos a felicidade a equipamentos “descartáveis” e jogamos fora um item precioso: o relacionamento humano.

As grandes marcas não vendem mais produtos, elas produzem “sonhos” de tal forma que nos sensibilizamos com coisas a ponto de viver em função do próximo lançamento.

É um grande efeito em cascata.

As empresas estão equipadas com ferramentas, análises, pesquisas, segmentação, tudo para produzir os “melhores sonhos”, assim não temos que acordar e olhar para o lado ou para baixo. Temos que andar com cabeça “erguida”, mas é difícil quando no caminho de ida e no de volta sempre há pessoas dormindo no chão, com fome, sem perspectiva.

Como é possível com tanta tecnologia disponível? – Da mesma forma que é possível olhar para cima sem olhar para baixo, da mesma forma que é possível entender a vida como cada um por si.

E talvez no futuro o maior sonho de consumo venha a ser o de “viver a realidade”.