31 de março de 2014

EDITORIAL: 1º de abril de 2014

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Há exatos 50 anos, os militares instauravam no Brasil uma Ditadura que calou a voz de milhões e torturou, exilou e matou outros milhares. O dia de hoje merece respeito e reflexão.

Especialmente neste ano, em que o golpe completa seu cinquentenário, é necessário que saibamos o que aconteceu nos porões da Ditadura. É preciso que entendamos o peso que carregamos em nossa história e as heranças que esse período nos trouxe. Mas é preciso, principalmente, que nos indignemos com o atual estado das coisas.

A violência de Estado, tão presente nas periferias das grandes cidades, é fruto da cultura de violência potencializada nos tempos de chumbo. Violações de direitos, especialmente nas camadas mais pobres, continuam acontecendo. Hoje, o inimigo não é somente o comunista, o sindicalista, o militante. A principal vítima das balas do Estado é a juventude negra e pobre – que luta contra um racismo institucionalizado e estrutural.

Amarildo, Claudia, Douglas. Apenas alguns nomes dos milhões de anônimos que desaparecem e morrem em plena luz da… Democracia. A Favela da Maré, no Rio de Janeiro, ocupada por tanques de guerra e agentes do Exército no último domingo, é a mórbida ironia das forças repressivas que são cada vez mais presentes.

Avançamos pouco. As lutas sociais conquistaram direitos significativos para alguns, mas a segregação ainda é gritante tanto no espaço urbano quanto no campo e, principalmente, no sistema econômico.

1º de abril de 2014 é só mais um dia para a população preta, pobre e periférica dos grandes centros urbanos. 1º de abril de 2014 é só mais um dia para a população indígena. 1º de abril de 2014 é só mais um dia de opressão, racismo, preconceito e injustiça para todos os grupos que têm em sua perseguição histórica a prova de que são tratados como uma ameaça ao poder hegemônico.

A RUA GRITA

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