11 de março de 2014

Rolezinho nem no parque

Por João Marcos Previattelli e Paulo Motoryn via MyFunCity

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A explosão dos rolezinhos em São Paulo evidenciou a falta de locais para o lazer, principalmente nas periferias da cidade. Com o auge do verão e a expulsão de jovens dos shoppings, a busca por lugares públicos voltados para o convívio social levou as reuniões para os grandes parques da cidade.

Em pesquisa realizada pelo MyFunCity, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), sobre o bem-estar do paulistano, os entrevistados colocaram a falta de locais públicos para encontros e práticas esportivas como principal problema para o lazer na cidade. Em fevereiro, o prefeito Fernando Haddad (PT) se reuniu com organizadores de rolezinhos para que os eventos passassem acontecer em parques.

No Parque Villa Lobos, já há algum tempo, jovens das periferias se encontram para praticar esportes e conhecer novas pessoas. Em fevereiro, a reportagem acompanhou um desses encontros: “Como perto de casa não tem, é aqui que a gente vem pra conhecer umas gatinhas e fazer uma bagunça com o pessoal”. Com uma garrafa de refrigerante misturado com vodka, Ricardo Amaral Junior, o Bola, demora duas horas só para chegar ao parque.

“A gente que vem lá da [zona] leste tem que pegar uns três ônibus, e de domingo sempre demora mais”. Onde ele mora, em Itaquera, afirma ser difícil encontrar até praças nas proximidades. Seu grupo não passa de dez pessoas, mas com o parque lotado, Bola sempre acaba conhecendo gente: “Eu me arrumo um pouco a mais né, quando é dia de rolê, a gente capricha porque sempre tem umas gatinhas que vem puxar assunto”. Mesmo bem vestidos, não falta disposição para o esporte: muitos andam de skate ou fazem slackline.

No último domingo (9), no entanto, um grupo foi impedido de entrar no Villa Lobos em uma operação bastante controversa. Por volta das 16h, 200 jovens foram abordados pela Polícia Militar e retirados da entrada do parque, após frequentadores da região terem feito “queixas de um início de tumulto”, de acordo com a Folha de S. Paulo. Na mesma reportagem, contudo, o jornal admite: “Nenhum boletim de ocorrência foi registrado pelas possíveis vítimas”.

A proibição da entrada dos jovens no parque, administrado pelo governo do Estado, sem nenhuma acusação formal, reflete a legitimação do apartheid social na cidade. Travestida de prevenção aos “tumultos”, a atuação policial é dirigida: tem cor e endereço. Assim como Bola, são jovens negros e de periferias.

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