31 de março de 2014

São Paulo by Bus

Por Pedro Mirilli

Ilustração de Matheus Bagaiolo Raphaelli
Ilustração de Matheus Bagaiolo Raphaelli

Não sou um usuário comum do transporte público (ou transtorno público, dependendo do horário e da linha). Normalmente prefiro não encarar meus colegas humanos durante o trajeto, principalmente quando vou em pé, e especialmente quando a metafísica se faz presente e até três corpos ocupam o mesmo espaço. Me refugio no além, no nosso planeta ele é feito d’outros ônibus, vários carros, de terra que virou asfalto, antipáticas árvores e rastros animais (um estudo ainda há de averiguar a porcentagem dos racionais e irracionais).

Prefiro essa modalidade, pois a realidade fora do busão sempre me pareceu mais crível, mais corajosa. Me sinto em um transporte extra terrestre, que ao invés de trafegar na velocidade da luz, se movimenta em engarrafamentos acompanhando os movimentos do sol, lento a marcar nossas intermináveis horas, que vira jurando nossos curtos dias em forma de jornal.

Falo do animal, e do espaço, o mote agora é evolução. Há alguns dias parei de olhar a constelação de nebulosas cinzas e virei minha atenção pros que, amontoados, largados, sem nenhuma explicação se encontravam ao meu lado. Vi sujeito moço, velho que não ia sentado, mulher de cabelos curtos e senhora c’os afilhados, é sempre uma variedade de repetições, o número de pessoas na cidade excedeu o número de papéis disponíveis. Então de vez em quando, mesmo que achar diferente, olhe duas vezes e em níveis ignore a sessão.

O curioso mesmo é ver que do homem primata aos novos milênios, mais uma coisa aconteceu. Me acomete que quem se mete dentro do ônibus não olha pra frente, já que o percurso é programado, o motorista e sua função, a cidade é estática, quem não encara os sapatos, encara o telefone de mão.

A RUA GRITA

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