15 de maio de 2014

O eu não tão meu

por Lucas Pazetto

 

Já fui do ventre

Da surpresa

E da alegria

Já fui da dúvida

Dos 9 meses

Da expectativa

Já fui do parto

Da mão do médico

E da cesária

Fui dos meus pais

De meus avós

E suas falhas

Fui da escola

Dos meus amigos

E seus pretextos

Já fui da infância

Da adolescência

E seus desejos

Fui da menina

A minha amada

O meu tormento

Fui da injustiça

Que hoje é nada

Dos sentimentos

Já fui do álcool

De outras drogas

E da maconha

De bares porcos

De luxos tortos

Tão sem vergonhas

Já fui do orgulho

Da arrogância

Da redenção

Fui da empatia

Da sintonia

De meus irmãos

Já fui do mundo

De sua loucura

De seus anseios

Já fui tão burro

Fui tão miúdo

Fui tão alheio

Já fui passado

Já fui futuro

Mas (des)presente

Era de todos

Menos de mim

Eu sempre ausente…

Hoje eu não fui

Nem ontem lá

Nem ontem hoje

Hoje eu já sou

Hoje eu já vou

Hoje sou hoje

Mas a lembrar:

Só sou tão meu

Pois houvera tempos

Em que andar

Era impossível

(Até de imaginar)

Se dadas mãos aos ventos

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