22 de maio de 2014

Pallium

por Pedro Blanco

Quando a sede de sua carne em mim ressuscita 
é sinal de que a pena não mais pesará 
e, leve, passeia aflitas memórias,
odiosas saudades
num campo de neve, sem prumo
que aos demais será um mar sangrento
uma cena denunciando inquietudes
ofícios humanos
e um anjo de pescoço quebrado
esse jejum me põe distante da sanidade
estupra a alma desnutrida
e alimenta a mente
com hienas e barulhos escuros
-overdose de tinta sobre papel virgem-
esqueletos de borboletas e seres de mascaras nascem para oferecer maçãs
pra evocar o sexo e o vicio
esfregando o póstumo cotidiano
que permanece vivo no díspar

 

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