30 de maio de 2014

“Salve Rasta” com Afreekadu Arruda: Sobre religião, música e conduta

Com essa entrevista inauguramos a série: “Salve Rasta”. Nela, procuramos entender melhor o Ras Tafari, a liberdade de culto no Brasil, além de falar da cena do reggae, do Soundsystem e outros assuntos. A primeira conversa deu o gancho para nomear a série. Confira abaixo:

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Por Victor Santos

“Salve Rasta!” é como Carlos Eduardo Dias Nascimento Arruda, 26, saúda a equipe da Revista Vaidapé. O compositor e intérprete visitou a redação e sua saudação já reflete um pouco do seu proceder. Explica: “Acredito que todos somos Rasta, a partir do momento que buscamos o bem sobre o mal, essa que é a vibe”.

Deu seus primeiros passos na música com o pai, ex-diretor de bateria da faculdade do samba Barroca Zona Sul, onde foi ritmista de 1996 a 2000. Quando começou a sair a noite ouvia bastante música black e o axé era o som que predominava na época. O contato com o reggae se deu em um show da banda “Jah I Ras”, quando ouviu pela primeira vez  sobre o Ras Tafari e Haliê Salassiê e, então, começou a buscar esses ensinamentos. É compositor e intérprete, com sua passagem pelo samba, toca ripinique, surdo, caixa, tambor, tamborim. Numa risada, comenta: “Meu pai, se ver, vai falar que não toco isso tudo, mas se me chamar na hora eu toco”. Também é jardineiro, fala do gosto que tem em trabalhar com a natureza.

Além da percussão toca trompete e foi com esse instrumento que fez parte da “Ras Mocambo“, em 2007. É conhecido como Afreekadu Arruda, apelido que veio de uma brincadeira com o baixista da banda, André, que o chamava de “Africa” enquanto era chamado de “Teacher”, em referência a música “African Teacher” do jamaicano Burnning Spears. De África, com a palavra free (livre em inglês), somado ao apelido que tinha desde moleque “Cadu”, se chegou a Afreekadu. Um livre Cadu.

Começou a compor em 2009. Seu tema? “Sou cantor de reggae, militante e ativista dos propósitos pretos, Ras Tafari e daquele que vive em diáspora. Numa situação adversa da boa”. Segue os ensinamentos da igreja Ortodoxa-etíope e nos conta que, no Brasil, existem diversas igrejas em que os irmãos se reúnem para congregar, ler a palavra do senhor e trazer conhecimentos ancestrais da Etiópia.

Questionado se é cultura, movimento, religião, modo de vida, ou outra denominação, responde: “Quem sou eu pra falar qual é a verdadeira? Eu sigo Ras Tafari”. Se é Rasta? “Sou o Afreekadu Arruda. Vivo a vivência do homem que foi curado Ras Tafari. A partir do momento que um ancião chegar pra mim e falar que eu sou, aí sim eu posso tomar parte. Até então eu sigo os ensinamentos”.

Em 2010, soma com trompete e voz na banda “Ethiopians Highlandahs“. Em 2011, sai da “Ras Mocambo” e foca nas suas composições junto com  o Sistema de Som, “InI Rasta-man Sounds“. Nessa época, conheceu o cantor Igor Rolim com quem, há mais ou menos dois anos, gravou seu primeiro som, “Marcus I”. Em 2012, passou a fazer parte da crew de vocalistas da Ethiopian Highlandahs. Lançará seu próximo trabalho em breve, um EP com a produção da ZionLab., de Florianópolis, e participação esoecial de Igor Rolim, Fabah Zadok, Ronaldo YahAsaf, Anderson Overson Oldoni e Dj. Will.

Sobre o reggae, lembra ser uma junção de diversos ritmos jamaicanos, e que não é do Ras Tafari, foi apenas um instrumento para disseminar a palavra de Jah ou de Deus, os dois nomes são usados . O que é próprio do chamado “Homem Rasta” é o Nyahbingi, ritmo tocado em roda com família, amigos, cantos e percussão, “Quando você ouve seu coração você não procura uma música que você vai cantar num ritmo? Então, a partir do momento que você canta um cântico de louvor, você tá cantando Nyahbingi. A palavra significa ‘morte ao opressor’, quando se canta um cântico de louvor, o opressor treme na base”, ri.

No começo da caminhada, e até hoje, ainda manda um som em Soundsystem’s, com motivo: “Para disseminar a palavra de consciência para os jovens”. Fala da dificuldade que a galera mais nova, de hoje, tem para se afirmar Rasta perante a família e também a sociedade. Diz que os ensinamentos, tanto do reggae quanto do Ras Tafari, o ajudaram na transição de jovem para homem, é vegetariano e não bebe álcool.

“A barba, o cabelo, o dreadlock, foi uma forma de eu revolucionar, não só isso, também através de preceitos que eu tenho com Deus, que eu acredito. Assim como o judeu tem os dele, o muçulmano, o católico”. Não nega a necessidade, às vezes, ser necessário abrir mão da barba ou do dreadlock. O mercado de trabalho brasileiro e os velhos preconceitos da sociedade ainda não dizem “Salve Rasta”.

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