19 de junho de 2014

No tempo de passar…

por Pedro Blanco

No tempo do café passar
passam morte
vida
Severino
Fabiano,
José Arcadio
Aureliano – e os eternos Buendias –
voa Andorinha…
No tempo de passar o café
no morro passa,ave-bala…
apaga o novo Pelé

No tempo de passar o preto
passam brancos, amarelos , vermelhos
hindus, judeus, muçulmanos, macumbeiros
cristãos, budistas
crentes, ateus
niilistas
maconheiros
e toda filosofia
no tempo de passar o café
passa a treva, o santo
luz e guerra
a sede, a água, o sangue
dente de leão, elefante
borboleta, tufão
-passa a rima infame
de fé com café-
a fome
o pão
o osso,
comunhão
o ócio
o fosso
ofício
caneta, traço
ascensão
queda
poema
encenação
o ato
passa
o fogo fátuo
feto
o fato
os átomos

 

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