20 de junho de 2014

O ato, que teve futebol, fogueira e sarau, foi convocado para mostrar que o povo é dono das ruas

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Fotos por João Miranda

Por Thiago Gabriel

O ato convocado pelo MPL (Movimento Passe Livre) ontem (19), marcava um ano da queda do aumento de 20 centavos na tarifa do transporte público, conseguida por meio da pressão popular. Partindo da Av. Paulista, milhares de pessoas gritavam pela tarifa zero e caminhavam com destino à Marginal Pinheiros, para tomar conta de uma das vias mais importantes da cidade.
Entre os manifestantes, metroviários demitidos, coletivos ligados do movimentos estudantil, indígenas que pediam a demarcação de terras e vários black blocs, que se posicionavam como linha de frente mediante qualquer possibilidade de confronto com a polícia, e dialogavam a todo o momento com o movimento.

O tradicional cordão policial não escoltava os manifestantes de perto como costuma ocorrer. Carros e motos da PM, no entanto, acompanhavam todo o trajeto pelas ruas paralelas às avenidas tomadas.

O próprio movimento organizava a manifestação, parando o trânsito, fazendo a passagem de carros e evitando excessos dos manifestantes. Por diversas vezes durante o percurso, membros do MPL, black blocs e demais manifestantes impediam a destruição de agências bancárias por alguns mascarados que, mas exaltados começavam a jogar pedras nos vidros. Algumas discussões entre manifestantes tiveram início, mas através de cordões humanos e diálogos sobre a importância de chegar até a Marginal a quebra das agências foi coibida.

O ato seguiu entoando gritos pelo transporte gratuito, contra a repressão policial e em apoio aos metroviários demitidos. Outras formas de luta também foram contempladas, inclusive a dos black blocs. Bonecos que representavam políticos como o governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito da capital, Fernando Haddad eram levados junto das bandeiras que enunciavam o poder popular e a luta do transporte público gratuito. Bonecos de barões da mídia no Brasil, donos das maiores emissoras do país e responsáveis pela concentração da informação de forma hegemônica, foram queimados.

Ao chegar à Marginal Pinheiros, os manifestantes bloquearam a via com barricadas e queimavam catracas.Fogueiras junto às bandeirinhas vermelha e preta conferiam um clima junino à intervenção organizada pelo movimento. Uma partida de futebol montada na via ocorria simultaneamente ao show do rapper Rincon Sapiência, seguido da apresentação dos Poetas Ambulantes, responsáveis pela declamação de poemas em ônibus e metrôs de São Paulo.

Quando o ato começava a subir sentido Rebouças para liberar a via, vários black blocs começaram a destruir uma loja da Mercedes-Benz, e seguiram o trajeto até o Largo da Batata quebrando lixeiras, orelhões e fazendo pixações por onde passavam.

Era a deixa para o Batalhão de Choque da PM, que já encontrava-se em prontidão, e começou a reprimir o ato com o lançamento de bombas de gás e tiros de bala de borracha que colocavam em risco todos que se encontravam no Largo da Batata. Em poucos minutos, era impossível permanecer na região, sitiadas pelos policiais. Os manifestantes correram e muitos tiveram que se esconder dentro de bares próximos para fugir da inalação do gás.
Dispersa, a manifestação já havia terminado quando caminhões do Batalhão de Choque e a cavalaria ainda paravam o trânsito na Av. Faria Lima. As imagens mostradas ao vivo pelas maiores emissoras do país tornaram-se um prato cheio para as manchetes dos jornais. Muitas já noticiavam e condenavam a ação de vândalos e pediam por consequências legais.

O MPL organizou um ato que parou por uma tarde inteira algumas das maiores avenidas de São Paulo com uma pauta popular e promoveu eventos culturais e esportivos, demonstrando que o povo é dono das ruas. Alguns manifestantes optaram por outra tática de manifestação, que prega a ação direta contra símbolos do capitalismo. Os dois caminharam juntos, e apanharam juntos das armas de repressão policial.

A RUA GRITA

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