25 de julho de 2014

Associação Cannábica convida candidatos a presidente para debater drogas. Será que rola?

Seguindo os exemplos de clubes de cultivadores fora do país, surge em São Paulo uma organização que começa, assim como foi na gringa, voltada ao lado cultural, educativo e social da maconha

Por Victor Santos

Há alguns anos a Marcha da Maconha já vem cumprindo seu papel na luta pela legalização Brasil afora. Em São Paulo, como um fruto da Marcha, nasceu a Associação Cultural Cannábica (ACuCa), criada por usuários e simpatizantes desta cultura com o intuito de lutar por uma outra política de drogas.

Em 2012, baseados no texto “Assossiação de Usuários de Maconha: Entre Liberação e Proibição”, de Sergio Vidal, sobre a importância do associativismo para a cena cannábica, se movimentaram e formaram a associação, em vias de se registrar.

Fernando da Silva, estudante de direito da USP, um dos fundadores da ACuCa e também conhecido pelo personagem Profeta Verde, comenta: “Uma das grandes referencias são os clubes de cultivadores da Espanha. Só que com nossas leis, contexto jurídico e político, aqui seria suicídio uma cooperativa canábica. Em primeiro momento eles já querem prender todo mundo e enquadrar como tráfico”.

Ainda seguindo o exemplo espanhol, em especial em textos de Martín Barriuso*, presidente da Federação de Associações Canábicas da Espanha, procuram começar com a discussão cultural, educação, arte, além de fomentar estudos sobre a maconha, visando mudar a percepção da sociedade sobre a erva.

“Questões medicinais, religiosas, recreativas, artísticas. A gente se organiza por ramas. É como se fosse uma árvore de maconha, que nasce e tem a rama principal e vão brotando ramas laterais que tratam de diferentes aspectos”, explica.

A Associação mantém uma página na internet e outra no Facebook, organizou debates como parte da programação da Marcha da Maconha deste ano, assim como em anos anteriores.

Cartaz da campanha "O uso é sagrado! Libertem Ras Geraldo" (Foto: Divulgação)
Cartaz da campanha “O uso é sagrado! Libertem Ras Geraldo” (Foto: Divulgação)

Iniciada no dia 6 de julho, a “Quaresma Cannábica” é uma das ações da campanha “O uso é sagrado, libertem Ras Geraldo!”. Iniciada pela ACuCa, em apoio a Ras Geraldinho, líder Ras Tafari, da igreja Primeira Niubingui Etíope Coptic de Sião do Brasil, que está preso, condenado a tráfico de drogas*. A campanha também procura dar apoio aos membros da igreja, na cidade de Americana, interior do Estado de São Paulo, onde fica sua sede e membros vem sofrendo forte perseguição, enfrentando diversos processos criminais relacionados à maconha*.

No dia 5, às 17h, haverá um debate com os candidatos a presidente , na Faculdade de Direito da USP, com o tema: “Maconha e Eleições Presidenciais: a ousadia que faz a diferença”. Até agora os candidatos Eduardo Jorge (PV) e José Maria (PSTU) confirmaram presença, também foi feito o convite para Luciana Genro (PSOL), Dilma Roussef (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB). Até a conclusão desta matéria os candidatos não haviam confirmado presença no debate.

Debate com presidenciáveis na Faculdade de Direito da USP, alguns confirmaram outros ainda não
Debate com presidenciáveis na Faculdade de Direito da USP, alguns confirmaram outros ainda não

Fernando explica que a discussão da maconha é importante por transcender diversos assuntos. A erva está relacionada com educação, quando se fala em informação, propaganda (com celebridades e megaeventos esportivos), com a saúde, lembrando comprovados benefícios medicinais, segurança pública, comentando a ação destrutiva que a guerra às drogas fortalece, entre outros.

A Quaresma Cannábica termina dia 14 de agosto, quando se completam dois anos da prisão de Ras Geraldo. Sua última atividade acontece pouco antes, na sexta, dia 8, às 19h30, quando haverá a exibição do filme jamaicano Rockers (1978).

Confira o trailer:

*Todo o material assinalado está disponível no site da ACuCa.

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