08 de julho de 2014

IV Copa Rebelde discute ocupação de terreno da antiga rodoviária na Luz

Em um domingo ensolarado, diferentes movimentos sociais se encontraram para ocupar um terrão com muito futebol e política

(Foto: Alan Felipe)
(Foto: Alan Felipe)

Por Alan Felipe

Neste último domingo (06/07), o número 907 da Av. Duque de Caxias, na Luz, foi mais uma vez o palco da Copa Rebelde, que chegou em sua quarta edição. Convidados pelo Comitê Popular da Copa SP, diversos coletivos, organizações e indivíduos se juntaram pra bater uma bola no clássico formato de rachão, sem segregação por gênero, idade ou qualquer outra. Além disso, não havia juízes, mantendo a horizontalidade e respeito entre as equipes.

E quem acha que só teve futebol está enganado. Sarau, festa junina, quadrilha, oficina aberta de batuque com a Fanfarra do M.A.L. (Movimento Autônomo Libertário) e diversos debates foram realizados. Às 15h, o arquiteto Arnaldo de Melo sentou no chão e começou uma roda de conversa com o tema “o que queremos para o espaço?”.

(Foto: Alan Felipe)
(Foto: Alan Felipe)

O diálogo buscou propostas para inverter a lógica da construção das cidades e proporcionar um ambiente feito de baixo pra cima. Desapropriado pelo ex-governador José Serra (PSDB), foi previsto um gasto de 32 milhões com a demolição das antigas instalações da rodoviária e a criação um centro de ópera e dança, com direito a indenização à Otávio Frias de Oliveira, ex-publisher da Folha de São Paulo.

Um espaço de ópera e dança é destinado apenas para a minoritária elite de São Paulo, sem relação com as carências ao redor e apenas um artifício para a gentrificação do local, com auxílio do Estado. Para evitar esse processo, os presentes expuseram suas falas, para buscarem soluções alternativas, como um espaço autogerido, cultural ou para habitação dos moradores de rua.

A Copa Rebelde vai na direção oposta da elitização do esporte e é uma reposta para quem acredita que futebol e política não se misturam. Uma oportunidade de jogar bola e desenvolver relações de respeito e amizade com o adversário. O que faz a Copa Rebelde diferente da Copa da FIFA é que, segundo Nelsão, “lá no Itaquerão o povo não participa.”

 

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