20 de agosto de 2014

Ideologia Fatal relembra ícones do hip-hop, revela influências e clama por rap denúncia

A cena do rap nacional está em constante transformação. A ascensão e popularização do gênero, bem como sua comercialização e mercantilização, tiveram efeitos diretos na produção musical dos mais diversos grupos e artistas da cultura hip-hop.

Por Paulo Motoryn

Enquanto uns apostam no rap como nicho de mercado, outros ainda acreditam no poder da independência de seus versos para denúncia e transformação social – como é o caso do grupo Ideologia Fatal, convidado para mais um episódio da série “O que é o Rap”, da Revista Vaidapé.

As contradições do rap podem ser um assunto espinhoso para diversos artistas que atingem a fama – e convivem entre demagógicos sorrisos e distanciamento de suas comunidades -, mas para os integrantes do Ideologia Fatal, o papo é reto: “A ideia do Ideologia Fatal é a luta contra o preconceito que até hoje impera. O rap sempre foi o que ele é. O que muda são as pessoas. O rap sempre foi a denúncia”, concordam os três nomes do grupo, Mano Lyee, Black Nandão e DJ Rick.

A conversa do trio com a Vadaipé poderia durar horas, afinal o Ideologia Fatal já está há 19 anos na caminhada. Eles mesmo se apresentam: “Meu nome é Fernando, conhecido como Black Nandão. Estou no Ideologia Fatal há 19 anos”; “Eu sou o Mano Lee, nascido em Piracicaba e criado em São Paulo. Ideologia Fatal desde o outono de 1995”; “Aqui é o DJ Rick, há 20 anos envolvido com a cultura hip-hop e há 17 anos no Ideologia Fatal”, dizem eles, com seriedade e firmeza, sem perder humildade e ternura.

É justamente com ese olhar de aprendizado que eles se orgulham de terem conhecido quase todos os ícones do rap nacional. Racionais MC’s, RZO e diversos outros grupos consagrados na cena do rap já cruzaram seus caminhos com o Ideologia Fatal. Nas quase duas décadas de histórias, festivais, shows e encontros com grandes nomes da cultura hip-hop. “O único que não tiramos foto é o Sabotage”, diz um deles. Mas o parceiro logo lembra: “O que fica são as ideias”.

O carinho com que guardam os momentos em que se aproximaram e puderam conversar e aprender com Mano Brown, Sabota e cia. é o mesmo que Mano Lyee, Black Nandão e Rick nutrem por suas influências musicais não apenas no rap, mas na música como um todo. Eles se animaram e resolveram listar alguns saudosos exemplos que os inspiraram: Clara Nunes, George Clinton, Michael Jackson, Face Negra, Sampa Crew, Thaíde, Pepeu, Holocausto Urbano, Sistema Negro, Consciência Humana e Facção Central… E muito mais, da MPB ao rap, do samba ao funk.

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