14 de agosto de 2014

“Salve Rasta” com Pedro Ribeiro: culturas de resistência, festivais de música e princípios

Foto: João Miranda


No segundo episódio da série, a Revista Vaidapé entrevistou Pedro Ribeiro, importante figura na cena reggae independente, trabalhando como locutor, músico e produtor de eventos.

Por Victor Santos

“Uma hora na vida a gente percebe que, não é que virou rasta, já era rasta desde sempre”. Pedro Ribeiro, 33, é educador, contrabaixista da banda Ambulantes e locutor do programa Já Regou Suas Plantas.

Ele acredita caminhar dentro dos princípios Ras Tafári, enraizados na África. A busca pela vida I-tal, que, entre outras coisas, está relacionada com a ação de se religar às origens – a natureza – levando em conta a alimentação orgânica e natural, a prática do amor incondicional e uma repatriação, antes de mais nada, espiritual.

Lembra de Gilberto Gil, Tribo de Jah e Edson Gomes, ao falar de sua precoce interação com o reggae. Lembra da questão histórica do Brasil com o continente africano, que difundiu diversos elementos desta cultura na sociedade brasileira – entre eles a música.

Assista ao video da série “Salve Rasta” com Pedro Ribeiro:

Em 2002, fortaleceu sua atuação no movimento de descentralização da comunicação, atuou na construção da Rádio Várzea, uma rádio livre que opera na região da USP, onde Pedro cursou história e o programa Já Regou Suas Plantas foi transmitido até 2006.

Nesta movimentação, também se aproximou de bandas do país inteiro, envolvido na organização de festivais de música, como o Osama Bin Reggae, que acontece, desde 2002, na Faculdade de Filosofia, Letra e Ciências Humanas da USP. Não aponta o ritmo jamaicano como a primeira musicalidade Rasta, mas, sim, como uma das formas que essa expressão cultural toma.

Em 2006, foi convidado para fazer parte do Midnite Reggae, programa de uma rádio comunitária da cidade de Osasco. Atualmente, de segunda a sexta apresenta o programa de rádio Já Regou Suas Plantas, transmitido pela rádio comunitária do Butantã, a Cidadã FM 87.5, de segunda a sexta, ao vivo, sempre com convidados, música ao vivo e entrevistas.

Pedro Ribeiro entende como cultura tudo aquilo construído pela sociedade em coletividade e constante transformação. O Ras Tafári se encaixa nisto, dentro de aspectos culturais religiosos: “Eu acho que a religião é uma cultura, uma forma e uma expressão cultural”, explica.

“Existem obstáculos que a sociedade impõe, no caso do Brasil, a gente vive em um sociedade capitalista, um regime democrático burguês, com interesses muito claros, que não convergem com ideias básicas de qualquer cultura de gueto. Muitas vezes culturas como a Ras Tafári são reprimidas. Mas o primeiro passo é interno e isso ninguém pode te proibir de fazer: a batalha que você trava dentro de você mesmo”.

A reaproximação da natureza, o canto do Nyabinghi e a construção cotidiana do proceder, mostram a face de um dos princípios mais básicos dessa cultura: a prática do amor incondicional: “O opressor vem com a violência e a gente vem com o amor, a outra face”.

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