07 de agosto de 2014

Soltura de Hideki e Lusvarghi não apaga arbitrariedades cometidas nas prisões

Padre Julio Lancellotti volta ao Metrô Consolação para reconstituir a prisão de Fábio Hideki e denunciar abusos e premeditação das prisões em São Paulo

Por Raphael Sanz

Presos desde o dia 23 de junho, após manifestação pacífica contra a realização da Copa do Mundo da Fifa, os manifestantes Fábio Hideki Harano e Rafael Marques Lusvarghi finalmente tiveram, na tarde desta quinta-feira, os seus alvarás de soltura expedidos pela justiça. O curioso é que o habeas corpus foi concedido pelo juiz Marcelo Matias Pereira, o mesmo que outrora ratificara a prisão preventiva dos dois. Lusvarghi deve ser solto ainda de tarde. Já Hideki, por estar na penitenciária de Tremembé, interior do estado, terá que esperar um pouco mais, até que o alvará chegue na cidade. A expectativa é que ele volte para casa ainda nesta noite.

Encarcerados por 47 dias sem provas, os rapazes foram acusados de formação de quadrilha armada, associação criminosa e porte de artefatos explosivos, entre outras acusações mais leves. Presente no momento em que Hideki foi preso, nas escadarias da estação Consolação do metrô paulistano, o Padre Júlio Lancellotti acompanhou a detenção e a revista dos dois e amparado por outras testemunhas e vídeos divulgados na internet, afirma que não foi encontrado qualquer artefato explosivo com eles.

A Revista Vaidapé esteve no metrô Consolação junto com o Padre Júlio Lancellotti no último dia 29 de julho, onde reconstituiu o momento da prisão de Hideki. Você pode conferir essa reconstituição no vídeo abaixo:

Para o Padre, os dois foram usados como bodes expiatórios já que na manifestação anterior houve o incidente na concessionária da Mercedes Benz em que um grupo de manifestantes depredou a loja e alguns dos carros lá expostos. “Eles tinham que mostrar serviço, tinham que pegar alguém, tinham que incriminar alguém, e, segundo eles dizem o Fábio estava marcado pelo capacete e o Rafael porque tinha desafiado muito (os policiais, no ato que marcou a abertura da Copa do Mundo, na estação Tatuapé),” afirma.

O Padre ainda denunciou a forte repressão policial contra as marchas pela libertação dos dois que tem como marca uma determinada sofisticação tecnológica na identificação e vigilância de manifestantes. “Estive na Roosevelt duas vezes pela liberdade deles e o que se viu foi o uso de equipamentos cada vez mais sofisticados para vigiar e intimidar os manifestantes. Além da Tropa de Choque ter sido mobilizada para combater um debate público,” afirma. Para o Padre Júlio Lancellotti, a tendência é a repressão se mostrar cada vez mais intensa com o auxilio destas tecnologias. “Uma coisa a gente já sabe: todos que vão às manifestações estão marcados, as fotos estão todas digitalizadas em um programa em que essas fotos recebem um código e quando essas pessoas entram em áreas de segurança, o programa avisa.”

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