23 de setembro de 2014

Bárbara Sweet após Batalha do Santa Cruz: ‘Me atacar como feminista é uma péssima ideia’

Foto: Pablo Bernardo/ Indie BH


Bastante conhecida no Duelo de Mc’s em Minas Gerais, Bárbara Sweet se destaca com grande estilo em sua primeira disputa na famosa Batalha do Santa Cruz, em São Paulo

Por Carolina Piai e João Miranda

“Mc é compromisso e você não honra aqui, rapá
Então eu honro no seu lugar
Não importa o meu órgão sexual
Importa minha rima, acapella, o instrumental”

Assim profetizou a mineira Bárbara Sweet, na Batalha de rap do Santa Cruz, no último sábado (20). Seu freestyle conquistou o público de primeira, mas ganhou ainda mais fãs quando seu adversário Pasquim bradou que homens sofrem mais violência doméstica do que mulheres. A condição de gênero perpassou, então, toda a fala de Pasquim. A partir dessa premissa, a Mc mostrou à que veio.

“É a mulher que sofre violência doméstica
É a mulher que sofre violência estética
É a mulher que sofre violência do dia a dia
Você é branco e hétero, não sabe qual que é a da minoria”

No meio da empolgação do público, Sweet também afirmou, rimando, que não ganhou de Pasquim porque é mina, mas porque tem talento e porque lhe falta um bom conhecimento. A mineira, que tem três anos de experiência nos duelos em Belo Horizonte (MG), conta que durante um bom tempo foi a única mulher, mas ao se unir com outras Mc’s fizeram o coletivo #MinaNoMic, que “fomenta a participação das mulheres nesse espaço tão misógino que são as batalhas de rap.”

De acordo com o Mapa da Violência 2012 – Homicídio de Mulheres no Brasil, de 1980 a 2010 foram assassinadas cerca de 91 mil mulheres no país. Segundo seus dados, enquanto homens mortos em residência representam 14,7% dos incidentes, entre as mulheres o índice de assassinatos cometidos dentro de casa é de 40%. Talvez por números desastrosos como estes a sociedade ainda “aceite” o discurso machista e prepotente que a permeia.

Segundo Bárbara Sweet, “é comum certas ofensas em batalha, mas algumas coisas não são aceitas pela platéia. Hoje a maioria dos Mc’s já percebeu que me atacar como mulher e feminista é uma péssima ideia.”
A Mc, no desenrolar do freestyle, marcou presença na última Batalha do Santa Cruz, que acontece aos sábados, na estação do metrô de São Paulo de mesmo nome. O encontro existe desde 2006 e já faz parte da história de muitos rappers que hoje se destacam na cena musical, como Emicida, Projota e Rashid. Agora, esperamos que Bárbara Sweet se torne tão famosa quanto eles. Ela merece – não porque é mina, mas porque tem talento.

Se você não acha, então confere a Publicação da Bárbara Sweet com o vídeo que viralizou nas redes sociais!

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