03 de setembro de 2014

“Salve Rasta” com MutaMan: do Reggae ao Nyahbinghi


A Revista Vaidapé e o programa Já Regou Suas Plantas se unem para fortalecer a produção da série “Salve Rasta”. A partir de agora, Pedro Ribeiro é o apresentador, debatendo e refletindo sobre os diferentes elementos e expressões da cultura Ras Tafari. Damos graça ao nosso terceiro entrevistado: MutaMan! Confere aí!

Por Victor Santos

MutaMan foi a evolução de um apelido entre camaradas. De Monstro para Mamute, de Muta para MutaMan. Hoje, “com a graça de Jah”, tem condições de não gastar boa parte do seu tempo na labuta e poder se dedicar ao motivo do chão da sala ter aqueles quebra-cabeças de borracha: seu filho pequeno, Benedito. Participa do canal Raízes e Cultura, onde apresenta o programa Smokeyroom, no intuito de desmistificar Ras Tafari e falar sobre essa cultura a partir do ponto de vista daqueles que a vivem.

Conta de quando se aproximou da música reggae – carregada de elementos da cultura Ras Tafari – com aproximadamente 18 anos. “Você escuta, como a maioria das pessoas, a princípio um Bob Marley, depois você está escutando um Ras Michael, daqui a pouco escuta um Nyahbinghi” – a música é a raiz da cultura Ras Tafari.

MutaMan com seu filho Bernardo (Foto: João Miranda)
MutaMan com seu filho Benedito (Foto: João Miranda)

“O que nós queremos vivenciar talvez não vá caber aqui, por dois motivos: não é a terra dos africanos, é dos índios. E não são os índios que estão governando na terra dos índios”. Morador da zona norte de São Paulo, Danilo Moraes lembra que aqueles que não deixam os índios governarem sua própria terra são os mesmos que impedem os africanos de serem livres, “em África”.

É membro do Congresso Negro Internacional Etiope Afreekano (EABIC), fundado pelo príncipe – e agora rei – Emanuel Charles Edward (1915-1994), “o primeiro Rasta” é também fundador da ordem Bobo Shanti. Muitos confundem sua nacionalidade, dizendo ser jamaicana, lugar onde desenvolveu seus trabalhos mas é original da terra matriz da Etiópia – Absynia. “O Congresso se move por redenção, repatriação, reparação, salvação, agora e já. Para que o povo que foi retirado da África possa voltar para a África”, afirma. Esse espaço desenvolve um trabalho voltado à cultura pan-africana, para que as mulheres e os homens rasta possam viver livres.

Seu aprendizado de música também não aconteceu de pequeno. Após um acidente na perna, quando não podia andar muito, começou a tocar violão. Está no processo de gravação de um álbum, que também se chama “Raízes e Cultura”, com a banda Ethiopian Highlandahs, no estúdio Abacateiro, próximo ao Metrô Vila Madalena. MutaMan ressalta a paciência para desenvolver um trabalho 100% orgânico – sem o uso de efeitos digitais na música que, apesar de não ter nada contra, preferiu deixar de fora do novo disco – já que desenvolveu todas as composições e arranjos.

A dificuldade financeira enfrentada por diversos trabalhos independentes que não encontram investidores também está presente nessa cena. “As pessoas que têm como investir e precisam de um retorno não se sentem seguros. Se eu falar sobre mulher, balada, o Camaro amarelo, isso tem retorno. Mas quando você fala sobre Jah, sobre salvação, libertação, redenção… Não é qualquer um que investe nisso”.

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