06 de outubro de 2014

Sente o Gigante

Ilustração: Gabriel Roemer

Por João Previ

“Mas que porra é essa que desde o fim e o começo me persegue?”. Vivia então o Gigante andando para todos os lados a procura desse contigo. Sua procura o levou a diferentes e longínquos lugares, pois nem mesmo a gigante São Paulo conseguia mais segurar o gigante. E foi andando que a encontrou.

Ela tinha assim, uma espécie de agir diferente, que chamava sua atenção. Era mais viva que das outras pessoas o seu sorrir e olhar. Também tinha o tamanho do Gigante, mas seu rosto mostrava outros caminhos percorridos, muito mais leves e serenos. E Ele, tão grande e magistral até então, sentiu-se envergonhado que mesmo pensando em milhões de coisas não sabia como falar.

Então assim, cada um em seu canto, continuaram a se sorrir. Conversavam com outros gigantes e outras estrelas, mas não saía de suas cabeças a nova descoberta daquele sentimento. Existia uma espécie de isca em seus olhares que atraiam uns aos outros. Assim como “amizade” foi a palavra usada por muitos para descrever aquele singelo bem querer entre os gigantes, o “amor” era a palavra usada para aqueles novos ventos. Mas novamente a palavra não bastava.

Sem muita pretensão os dois foram se achegando cada vez mais. De um “oi” surgiu mais um sorriso. De uma história um abraço. Daquele laço um sussurro. Dessas palavras uma dança entre os corpos. Saíram andando por ai, de mãos dadas. Os olhares já eram um.

Sentia assim que uma vida passava a cada passo. O sentimento era dos mais simples, e por isso impressionava tanto aquele ser que tinha vindo da cidade. E tantas outras voltas o relógio precisou dar para voltar o Gigante a perceber que ainda não tinha chego ao seu destino, se é que esse fim realmente existia.

Cada toque ao Gigante voltava a ter o impacto do novo porque tudo voltava a ser uma novidade em seu corpo e mente. Descobrir sentimentos era então uma viagem sem volta a ele. Parecia a cada beijo beber um pouco do chá de Carroll, e a cada gole um provar um novo mundo. Sentia a liberdade da ingenuidade novamente. E assim, junto, continuou a procurar o Contigo.