09 de novembro de 2014

Após sucesso e atualidade, peça “Ocupação” reestreia no Teatro Augusta

A peça “Ocupação” estreou no dia 15 de julho no Teatro Indac e ficou em cartaz até o dia 31 do mesmo mês. O sucesso e a atualidade do tema propiciaram uma segunda temporada de apresentações que começa no dia 12 de novembro.

Por Thiago Gabriel

À medida que moradores são desalojados de suas residências por conta do expansionismo da especulação imobiliária e os aluguéis tornam-se mais caros e excludentes, a necessidade de ocupar se faz presente. A vida de quem compõe essa luta é retratada em “Ocupação”, que reestreia no dia 12 de novembro no Teatro Augusta e fica em cartaz até o dia 11 de dezembro. As apresentações ocorrem todas as quartas-feiras e quintas-feiras às 21h.

O texto é inspirado na peça “Invasão”, escrita por Dias Gomes em 1961. A montagem, dirigida por Renato Andrade, é adaptada ao contexto atual, com mudanças de personagens como o sambista pelo rapper. Para isso, contou com uma extensa pesquisa e debate acerca da questão habitacional em São Paulo e das especificidades de quem vive nas ocupações. O trabalho incluiu visitas a esses acampamentos e levou cinco meses desde a apresentação do texto aos atores até a estreia no dia 15 de julho.

Conversamos com a atriz Júlia Freire na ocasião da estreia da peça, que nos contou um pouco mais sobre a escolha e apropriação do tema. “Optar por trabalhar com essa história re-atualiza essa questão sempre pungente em nosso país, legitima os movimentos sociais que lutam por essa causa e evidencia esse problema que ninguém quer ver”, garante. Releia a entrevista na íntegra:

Revista Vaidapé: Para montar “Ocupação”, como foi o trabalho de pesquisa?

Julia Freire: Iniciamos o processo de pesquisa recolhendo um acervo de notícias e atualidades sobre o tema. Discutimos o complexo cenário da cidade de São Paulo e questões referentes a urbanização e movimentos sociais. Paralelamente, assistimos reportagens e documentários e analisamos materiais fotográficos. Realizamos algumas visitas em ocupações que foram essenciais para o embasamento político da peça e para a sensibilização dos atores. Fomos muito bem recebidos por líderes da luta e pelos moradores, que, literalmente, abriram suas casas para falar sobre suas vidas e experiências na luta pelo direito fundamental à moradia.

VDP: Quanto tempo levaram para montar o espetáculo? Como foi o processo de montagem?

JF: O processo começou a cinco meses (antes da estreia) com a leitura do texto “A invasão” de Dias Gomes. Desde o início, quando o diretor nos trouxe o texto, todos se encantaram com a temática, história e estrutura que ele apresenta. Junto com o levantamento de dados e sensibilização ao tema, realizamos um trabalho minucioso com as personagens, procurando, sempre aproximá-las das pessoas que vimos nos documentários e conhecemos nas ocupações. A proposta é contextualizar a peça no cenário de São Paulo hoje, 2014 e, para isso, fizemos adaptações necessárias, como, por exemplo, substituir o sambista da década de 60 pelo rapper dos dias atuais, que procura um meio de dizer o que pensa.

VDP: Vocês pretendem apresentar o espetáculo em ocupações?

JF: Pretendemos fazer algumas apresentações da peça dentro de ocupações, mas elas não serão abertas ao público; serão direcionadas aos moradores e aos envolvidos na luta do movimento.

VDP: Como foi apresentado para o grupo a questão das ocupações em São Paulo? Rolou uma contextualização, um estudo, ou até uma visita às ocupações antes da montagem do espetáculo?

JF: O problema da habitação em São Paulo é resultados de um mercado imobiliário excludente e da ausência de políticas públicas direcionadas para moradia. Falar de Ocupações urbanas é falar sobre São Paulo e seu complexo processo de urbanização. Optar por trabalhar com essa história re-atualiza essa questão sempre pungente em nosso país, legitima os movimentos sociais que lutam por essa causa e evidencia esse problema que ninguém quer ver.

Peça “Ocupação”, com direção de Renato Andrade
Teatro Augusta – Rua Augusta, 943
De 12/11 a 11/12, quartas e quintas às 21h

Entrada Franca (Ingressos liberados 1 horas antes da sessão, permitido a retirada de 1 ingresso por pessoa)

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