16 de novembro de 2014

MTST leva forró da “gente diferenciada” aos Jardins paulistanos

Fotos: Alan Felipe


Vinte mil pessoas foram às ruas para responder a quem pediu intervenção militar

Na manhã desse sábado (15), cerca de 10 mil pessoas protestaram contra a presidenta reeleita, Dilma Rousseff, pedindo anulação da eleição e impeachment presidencial. Entre os brados dos manifestantes: repúdio aos casos de corrupção que envolvem o partido e pedidos por ‘maior liberdade econômica e política’. Alguns grupos clamavam ainda por intervenção militar. Vestindo as cores da bandeira brasileira, o protesto verde e amarelo invadiu a avenida Paulista, contou com canção do hino nacional e até reza coletiva.

Em contraste de cores e ideais, a última quinta-feira (13), foi contemplada com a “Marcha Popular pelas Reformas: contra a direita e por mais diretos”. O ato, organizado pelo MTST, pedia reforma urbana e agrária, reforma tributária progressiva, reforma política, democratização da mídia e a desmilitarização da segurança pública. Além disso, a manifestação foi, principalmente, uma resposta à elite preconceituosa que esteve nas ruas para pedir intervenção militar no dia primeiro de novembro.

A concentração começou às 17h e, mesmo com chuva, lotou o vão livre do MASP. Maria Aparecida, que trabalha fazendo bicos, já ocupou outros terrenos e hoje mora de favor; acredita que dessa vez irá finalmente conquistar a casa própria: “Lutando é que nós consegue, né?”.

Guilherme Boulos, da coordenação do MTST, definiu, encima do carro de som o que era aquela marcha: “Não é uma intervenção militar. É uma intervenção popular”. Depois do discurso de Boulos, Vagner de Freitas, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores) reiterou as pautas da marcha e Luciana Genro, quarta candidata das eleições presidenciais, pediu mais direitos para a população LGBT, mulheres e para a juventude.

Na linha de frente do ato, pessoas com enxadas, zabumbas e triângulos dançavam e cantavam o clássico “A vida do viajante“, de Luiz Gonzaga. A marcha, seguia com o carro de som tocando baião, forró e rap: trilha sonora dos pretos, pobres, nordestinos e moradores da periferia, que ali se encontravam caminhando em direção aos Jardins, bairro nobre da capital paulista.

Em frente ao Hotel Renaissance – um dos mais caros da metrópole e que contava com proteção acima da média da Tropa de Choque – o carro de som parou de tocar “Da ponte pra cá“, dos Racionais MC’s, e colocou Zé Ramalho para que o povo pudesse dançar.

O único problema com a PM se deu no final do ato, quando alguns manifestantes mais avançados sofreram com spray de pimenta, espirrado pela polícia, na Praça Roosevelt. Dez vezes maior do que a manifestação do início do mês e com o dobro de integrantes do protesto desse sábado, o ato encabeçad0  pelo MTST – que contou com cerca de 20 mil pessoas -deu sua resposta à onda fascista e reacionária que aflora em São Paulo.

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