02 de dezembro de 2014

título: o próprio ser ri de teu eu e de seus saltos pretenciosos

Por: Matheus Bagaiolo Raphaelli

faz tempo que não chove
são 3:42 da madrugada
os prédios repousam antes do sol rugir
uma densa profundeza respirando por raras luzes demonstra
sobreviventes espalhados por
labirintos
furtivamente olho para baixo
os miúdos veículos na garagem aparentam-se com brinquedos
a chuva ainda cai
estendo minha mão para fora da janela
atuo que movo os carros como um enorme ciclope- prostrado por forjar belos raios para os inúmeros deuses fenecidos no
limbo do reflexo-
que se distrai
infantilmente na espera do ópio
são 3:50
os espíritos dormem em plenitude em suas carcaças
os pássaros escondem suas penas das nuvens espirrando
latidos somem como se não existissem vira-latas
e os sapatos e pastas e carteiras somem nos armários como se mendigos e desgraçados não estejam vagando por aí
são 3:51
um transformador explode
um espasmo colossal em forma de
luz
seguido dum
foooooooooooon absurdamente ensurdecedor
o vermelho ganha as costelas dos edifícios
fogo
alguém berra fogo
alguém está desesperado
alguém está desesperado
foooooooooooooooooooooon
esse foi mais alto
as sombras desenhavam no clarão vermelho corpos desfigurados-
não necessariamente humanoides-
a chuva cai
o fogo cola
o quarteirão inteiro está iluminado
os bramidos em labaredas seguiram por volta de 13 vezes
ouço gritos distantes
me aproximo da janela e parecem nunca
terem
existido
são 4:23
a cidade está novamente em breu
muda
a luz do quarto me importuna
uma espécie de angústia já destilada devido à
experiência
acendo uma vela
ela boia num copo com água e
óleo
acendo um cigarro
continuo minha repetitiva bebida
sim,
a chama está controlada
a chama está controlada
por hora
talvez eu durma
são 5:15
percebo que dormir lhe deixa vulnerável ao
sumir
talvez alguma garota do passado me
ligue
não poderei atender
talvez algum amigo
não poderei atender
talvez seja o telemarketing
não atenderei
o isolamento causado pelo meu telefone arrebentado em fragmentos após um acesso de
raiva
embriagada
não me apavora
se for o caso
salve-se antes que não te salvem
mesmo que desmorone como as nuvens carregadas
e suas vísceras escorram pelo
chão
deixe seus pés
ai
ao além dos heróis e- sem outras
alternativas-
banalmente
ao além do homem.

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