27 de fevereiro de 2015

Mais de 15 mil protestam contra falta d’água e colocam governo de São Paulo contra a parede

Ato organizado pelo MTST faz protesto pela água com direito a intervenções e cerco no Palácio dos Bandeirantes

Por Beatriz Ramos e Fernando Netto

Na última quinta-feira, 26 de fevereiro, diversos movimentos se reuniram para debater e reivindicar soluções para a questão hídrica em São Paulo. A indignação, expressa no rosto de pessoas de diferentes ocupações e moradores da periferia da cidade, se somou a movimentos sociais organizados, como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), a União da Juventude Socialista (UJS) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), além de coletivos de mídia independente, que marcaram presença na marcha. Mais de 15 mil pessoas reivindicaram maior distribuição de caixas d’água para regiões periféricas, cisternas, construção de poços artesianos e envio de caminhões pipas às regiões mais necessitadas.

Além disso, pediram o congelamento da tarifa e maior transparência a respeito da qualidade da água na represa Billings. As 15 mil pessoas compareceram ao ato e caminharam em direção ao Palácio dos Bandeirantes, para cobrar explicações do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Diferentes intervenções, como ensaios teatrais, um caminhão-pipa com 5 mil litros de água potável, além da contrução da irônica “banheira do Alckmin”, fizeram parte da marcha.

Chegando ao destino final, Guilherme Boulos, um dos coordenadores do MTST, foi recebido em uma audiência com o chefe da casa civil, Edson Aparecido, e denunciou uma série de irregularidades ocorridas na Sabesp. O MTST reforçou a indignação dos trabalhadores contra o racionamento seletivo praticado na capital, que atinge de forma muito mais cruel as periferias da cidade.

DSC_0369
Foto: Fernando Netto

De acordo com Jussara Bastos, coordenadora estadual do MTST, as péssimas condições da água que chegam às regiões mais distantes causam a suspensão de aulas nas escolas públicas, como as em Embu das Artes. Em três Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Embu, a vacinação foi suspensa por conta da falta d’água, que dura até quatro dias por semana.

“Não adianta cobrar o presidente da Sabesp, tem que cobrar o chefe do presidente da Sabesp, que é o Geraldo Alckmin. A grande imprensa ajuda a encobrir que ele esteja mentindo, que esteja usando de cinismo”, disse Jamil Murad, ex-deputado estadual do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) ao criticar a omissão da grande mídia em relação ao racionamento: segundo ele, exemplo disso é a mínima cobertura do ato, relegada a pequenas notas nos grandes portais.

De acordo com diversos manifestantes, a privatização do serviço de abastecimento está longe de ser a solução. O exemplo de Itu foi lembrado por muitos: a cidade possui o setor totalmente privatizado e é uma das regiões que mais sofrem com a má gestão dos recursos.

Gilson Pinheiro, morador da Ocupação Vila Nova Palestina, expressou sua indignação vestido de índio para protestar. Ele disse que falta água também para as tribos indígenas em aldeias de Santos, Mongaguá e Parelheiros. Gilson é pedreiro, trabalha 7 horas por dia e fala que onde mora “era para chegar 160 mil caixas d’água, e não chegou nenhuma”.

DSC_0284
Foto: Fernando Netto

Em nota, a assessoria do MTST divulgou um balanço sobre a conversa de Boulos com os representantes do governo estadual e listou compromissos assumidos pela gestão:

1) Reeditar o decreto do Comitê de Crise, até então restrito ao governador e prefeitos, para incluir o MTST e outros movimentos sociais.

2) Compromisso em formar uma comissão para identificar os locais que tem falta d’água crônica.

3) Distribuição de caixas d’água na periferia.

4) Reunião com Paulo Massato, diretor metropolitano da Sabesp, na semana que vem para discutir a operacionalização, além de distribuição de cisternas, construção de poços artesianos e envio de caminhões pipas as regiões mais necessitadas.

5) Compromisso em avaliar os contratos de demanda firme estabelecido com grandes gastadores e apresentar uma resposta até a próxima semana.

Confira mais fotos:
A RUA GRITA

Volta Negra: a história do negro no Centro de São Paulo

Novo ciclo de caminhadas da Volta Negra começa neste sábado e tem atividades programadas para os próximos dois meses