06 de fevereiro de 2015

Polícia Militar bate recorde de assassinatos em 2014, mas São Paulo cala

Por Paulo Motoryn

Se descrito em números, 2014 foi muito mais que o inesquecível 7×1. Enquanto nos divertimos com a Copa e seus resultados pitorescos ou nos afundamos em rasos debates eleitorais, o cenário da violência policial atingiu um grau insustentável. Nem as estatísticas oficiais, sempre duvidosas, deram conta de esconder que violência e polícia são termos indissociáveis no estado de São Paulo.

Dados fornecidos pela Secretaria de Segurança Pública de SP foram publicados por grandes jornais nas últimas semanas e até denunciaram o cenário sangrento de 2014, mas não alçaram o tema à sua devida importância. Tampouco discutiram os abusos da corporação, recorrendo a textos curtos e técnicos, que não colocaram o tema na agenda política do estado, nem sensibilizaram a opinião pública.

Só no ano passado, ao menos 925 pessoas foram mortas pela Polícia Militar no estado. Na conta, estão consideradas apenas as ocorrências devidamente registradas, ignorando casos que não foram esclarecidos e tantos outros cometidos pelos grupos de extermínio compostos por policiais em folga. O número coloca a PM de São Paulo em seu ápice de sangue e letalidade: desde 2003 a corporação não matava tanto.

Em dezembro de 2014, o número de pessoas mortas pela PM chegou a 109, dado mais alto para um mês desde maio de 2006 – quando uma sequência de assassinatos vitimou, no mínimo, 493 pessoas, a imensa maioria delas mortas por policiais (fardados ou em folga), entre os dias 12 e 20 de maio daquele ano.

Também em 2014, na capital do estado, a cidade mais populosa do Hemisfério Sul, 22% dos homicídios ocorridos foram cometidos por policiais. Ou seja, quase um quarto das mortes foi determinado pelo gatilho estatal – lembrando que os dados consideram apenas os números oficiais, o que indica que a porcentagem deve ser ainda maior. O ano passado somou 343 mortes por policiais na cidade, mais do que o dobro do registrado em 2013, quando houve 158. O sangue jorra, São Paulo cala.

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