23 de março de 2015

Além da crise hídrica, Sabesp protagoniza demissões e perseguição a trabalhadores ativistas

Marzeni
Foto: Reprodução facebook
Demissão do funcionário da Sabesp, Marzeni Pereira, caracteriza-se como corte por interesses políticos
Por Al Taj

Desde o final de 2014, a diretoria da Sabesp e o Governador Geraldo Alckmin (PSDB) demitiram pelo menos 500 trabalhadores da estatal. Marzeni Pereira, grande companheiro de lutas e militante ativo por uma empresa mais transparente, foi demitido no último dia 16. A crise da água em São Paulo deixou de atingir somente a população (principalmente das periferias) e passou a mirar nos trabalhadores que suam sangue para manter a empresa estatal

Marzeni é funcionário da Sabesp há mais de 22 anos, e , durante este período, militou ativamente na organização sindical dos trabalhadores da empresa. Foi delegado sindical e membro do CIPA (Comissão Interna de Prevenção a Acidentes) e um dos fundadores da Oposição Alternativa, grupo de oposição ao Sintaema desde 1999. Atua na CSP-Conluntas e, além de sua militância no âmbito sindical, Marzeni faz frente em movimentos populares; é membro e um dos fundadores do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

Nos últimos meses o funcionário esteve engajado na luta contra a crise hídrica em São Paulo, participando do coletivo ‘Água sim! Lucro não!’, que tem como objetivo construir uma Assembleia Estadual da Água para discutir meios de democratização do recurso.

A estatal, para tentar recuperar as perdas por desperdício e dar uma resposta a população, começou a fornecer descontos aos cidadãos que gastassem menos água, gerando o famoso ‘desconto’ que poucos recebem. São esperadas mais demissões até maio em função desta política de austeridade. Porém, o Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente de São Paulo (Sintaema) já ameaça uma paralisação estadual caso este quadro não seja revertido.

Vale lembrar que, em meio a este quadro de austeridade pintado pela direção da estatal e pelo governador Geraldo Alckmin, os acionistas das ações da Sabesp, incluindo os da Bolsa de Nova Iorque, estão com os bolsos cheios pois os investimentos que deveriam estar sendo feitos com trabalhadores e estrutura são repassados aos acionistas estadunidenses.

Frente esta situação, os trabalhadores engajados na luta da empresa, como Marzeni, defendem a total reestatização da empresa e o empoderamento dos trabalhadores. A demissão do militante configura o modus operandi do governo do estado, em que os trabalhadores são claramente preteridos pelos acionistas internacionais, a fim de manter a lógica da comercialização do recurso mais básico que o estado deve garantir: a água.

Não é só um período de austeridade e a mais forte crise hídrica, é um momento de perseguição política pelo governador a fim de silenciar os trabalhadores que somente lutam por recursos naturais socialmente distribuídos e democraticamente estruturados.