06 de março de 2015

Às duas

Ilustra: Gabriel Roemer
Ilustra: Gabriel Roemer

Por: Giovanna Fabbri

Música, pensamento e corações em harmonia. Já sinto o calafrio gostoso sob o lençol, o suor entre mãos, o sussurro das almas, meu eu em você. Nos tornamos um às duas. Já não sabia o que era teu espírito, qual era o meu. Ouvia no meu peito a batida das suas pulsações, repletas de desejo e suspirando um banho de água morna. Morna como teu cangote, que me arrepiava ao sentir o cheiro do nosso beijo. Minhas pernas já tremiam, minha barriga pedia um colo, meus braços, um abraço. Eram três, a luz vinda da rua tranquila iluminava teusmeus contornos. A ânsia por senti-los aumentava a cada segundo que me envolvia em teu peito. Às quatro já chorava. Tremia de certa emoção desconhecida, mas já encontrada. Um som a mais e eram cinco. Já estávamos tranquilos e seu silêncio me fazia querer entrar em teus sonhos e tomar outro banho. Um pio é ouvido, e acordo com teus dedos enroscados em meus cabelos embaraçados.

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