04 de março de 2015

Luta do Transporte no Extremo Sul: ‘A gente gira a catraca, eles recebem o nosso dinheiro’

Militantes apontam que imposto progressivo pode viabilizar tarifa zero para o transporte público

Por Patricia Iglecio

Durante entrevista coletiva no Grajaú, no ultimo domingo, 1º de março, militantes da Luta do Transporte no Extremo Sul contaram a história do movimento e denunciaram a realidade que os bairros do extremo sul de São Paulo vivem diariamente.

O movimento surgiu em agosto de 2013, após as manifestações populares de junho que mobilizaram todo o país, e articulou moradores dos bairros mais periféricos da zona sul da cidade para reivindicar um transporte público de qualidade. Articulados em parceria com o Movimento Passe Livre (MPL), a Luta do Transporte no Extremo Sul mobiliza bairros como Parelheiros e Marsilac.

Kleber Luís, integrante do movimento, explica que o transporte sempre foi tema de indignação nas quebradas. “Além da demora e dos cortes de linhas, lugares como Marsilac nem se quer têm linhas de ônibus, as pessoas às vezes andam duas horas para chegar em um ponto de ônibus”, diz.

Diante dessa realidade, a mobilização cresceu no “corpo a corpo”, com visitas nos bairros, coleta de relatos da população e articulação de núcleos. “A luta sempre foi essa: na conversa. É assim que a gente faz o nosso trabalho de base”, explica Kleber.

Vinícius Faustino, que também milita pelo transporte na sul, aponta que a maior forma de comunicação na região é a intervenção no espaço público, com graffites, pixos e lambe-lambes. “Fazemos oficinas de lambe-lambe, é assim que a gente se comunica”, diz.

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A Luta do Transporte no Extremo Sul está enfrentando, pela primeira vez, o aumento da tarifa, que subiu de R$3,00 para R$3,50. Este ano o movimento já realizou duas grandes reuniões na zona sul da cidade, que mobilizaram mais de 100 pessoas, além de um cortejo na região.

Apesar da intensificação da militância diante o aumento, Kleber relembra que a luta é cotidiana. “Quando a tarifa sobe, é o momento que a gente reitera esse absurdo que é você pagar um serviço que deveria ser publico”, afirma.

Luize Tavares também está na “correria” por um transporte digno na zona sul e relembra que a tarifa zero não é uma ideia criada pelo MPL nem pela Luta do Transporte no Extremo Sul. “A tarifa zero já foi proposta na dácada de 1990, durante a gestão da ex-prefeita Erundina. Uma das possibilidades para viabilizá-la é o imposto progressivo, que seria cobrado dos mais ricos”, pontua.

Esse imposto cobraria taxas de acordo com a quantidade de propriedades privadas dos cidadãos. “Ou seja, os que têm muito pagam mais e os que não tem nada não pagam nada”, ironiza Luize.

Outra opção para viabilização da tarifa zero é a municipalização do transporte, que tiraria o serviço das mãos dos empresários. “Os empresários do transporte tem o lucro ligado totalmente ao sofrimento dos usuários. Toda a vez que a gente gira a catraca, eles recebem o nosso dinheiro, a prefeitura subsidia isso para eles. O que acontece é que o poder público faz a escolha política de aumentar o lucro dos empresários”, denuncia a militante.

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Absurdo

O movimento relembra que, em dezembro do ano passado, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), realizou uma auditoria pública para investigar o serviço prestado pelas empresas de ônibus da cidade. O resultado da investigação é óbvio: o serviço é de péssima qualidade.

Uma das calamidades levantadas é que de cada 10 viagens programadas pelos ônibus de São Paulo, uma não é cumprida, o que corresponde a um lucro de R$31 milhões por mês para os empresários.

“E o que se decidiu fazer após a auditoria? Decidiu diminuir o preço da passagem? Se decidiu pelo menos diminuir o lucro dos empresários? Não, pelo contrário: o aumento de 50 centavos exclui mais ainda os excluídos”, aponta Luize.

A entrevista coletiva foi realizada pelo projeto Grito do Pé Preto, iniciativa da Revista Vaidapé que promoverá atividades em praças públicas da zona sul de São paulo durante os meses de março e julho desse ano.

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