12 de março de 2015

Pela despatriarcalização


Um relato poético da despatriarcalização

Por Camilla di Lucca

Símbolo plúmbeo, chumbado de toda a construção da opressão política, moral, racial, de gênero e de crença, o Patriarca recebeu todos de costas, as energias abertas, flambando e suando maracatu, força do Coro de Carcarás.

A Nave-Geodésica,
rodada
em seu próprio tom guarda-chuva-de- frevos,
rodou rodou,
de mão em mão
o improviso,
no microfone o
funk,
um proibidão,
molecada, pé no chão,
manda rap,
manda rima.
Centro
do
domo,
triângulos, pentágonos.
Poligono.

E então o Dodecaedro: o Streaming ativado do Dispositivo, uma caixa amarela, como caixa de pandora, se abre: , exibida de câmera, microfone, chama o som, grava, transmite. Tudoaomesmotempoagora. Como o universo. Dodecaedro, cada face uma disposição, liga o mic aberto ao som, que sai de suas orelhas alto falantes. Com a câmera é possível gravar, sintoniza-se: esta no ar.

Online,

Radio-Vírus, é só conectar.

Se o wi-fi das praças, justificativa do edital Redes e Ruas, não funcionar, outra face amarela do dispositivo disponibilizará. Pá-Pum!

Integra tecnologia e lazer, Reunidos ao ar livre, a trilha sonora feita ao vivo, traz novo tom, criava-se a narrativa do momento. Artistas como Érica (Live) e Laura Diaz performatizaram canto, arte do agora, para mim e para você, como matinê, num cinema.
Projeção na tela! Luzes de três projetores na intensa cobertura arquitetada por Paulo Mendes da Rocha. Porque disponibilizar tecnologia, espaço, lazer, musica, cinema, projeção. Porque agora possibilitam intra-acessar as praticas artísticas, pela mistura, pela mescla, transfazendo nomes, gêneros, carimbos, que nos delimitam, a um tipo cunhado a mil graus, passados.
“o equipamento pode compreender/con- ter os trabalhos dos demais artistas, assim como propor a explosão e troca dos conteúdos apresentados”

Eventos como este buscam preservam locais que estão se transformando em ponto de encontro de livre e nova expressão artística e debate, à livre interpretações, à participações espontâneas e criativas, performáticas, de musica, dança, arte, do que der na telha, sem eira nem beira. Porque o envolvimento é de integração, e será olho no olho. É na entrega.  Afinal arte é para todos, na rua, desnudo das morais da família e da estética higiênica, como se desentende a política. Locais abandonados, no centro de São Paulo, a noite cai, se empilham os moradores de ruas à seus pertences e papelões. Sobram as brumas e os calçadões. Vemos o abandono, integramos novas ações, as coisas não são de quem tem, são de quem ocupa.

O tom também é de deboche, O inusitado tem seu efeito poético afetando recalques, abrindo feridas sugeridas de mais vida, mais cor, mais atenção. Ação.

A ditadura da felicidade, a estética da perfeição. Correto e bem ereto, etiqueta é contra panfleto. Se lhe falta água, porque não bebes chorume? Bebamos champanha. E lamba os beiços.
Essa máquina política, armada, que tenta minimizar os espaços artísticos, abertos, pólos de livre conexão para produção de mecanismos e ideias que são contra ideologia maior estruturante, contra aquilo que aliena e a favor da arte pela humanização.

Usamos a própria máquina para superá-la.

Estamos nos chamando as entidades contra este modelo opressor e moldado, comercial maquinário,
mastigada , tutti-frutti eterno, des-sabor.

Chamamos os xamãs, os alquimistas, para reverter essa frigidez, este rigor da grande cidade cinzelada de mármores.
Espontaneamente, o movimento é cyborgue, amor, é tecno-xamã.

E é também sem nome, renunciado de crachá e das horas contadas para viver arte.
O Coletivo Mamba Negra tem como símbolo a cobra, que vem silenciosa, propulsiona de gatilho, inflamável bote.

Da metáfora, esperemos além profecia

“Tudo é perigoso!”. A polícia compôs de vermelho as luzes da festa, com seu batalhão e seus carros, gentilmente escoltou o arrastão do Coro, e se posicionou na vigília, armados aos dentes, com projeções em seus capacetes e escudos brancos psicodelizados de luz transparente-colorida. A Arte era produzida ao vivo  por Bruno (LAÇO) e parceria com Ban(cu) Mundial: porque Cu é universal. Mmamihlapinatapai (Dispositivo), e Caleidoscópio Imaginário. Os bancos de dados para as projeções vem de diferentes fontes, digitais e analógicas. Foram exibidos trechos de gravações, edições ao vivo de filmes e animações, permeadas por projeções de slides 36mm.

Outras edições do evento da DESPATRIARCALIZAÇÃO estão marcadas ainda para os próximos meses.

confira mais:

https://www.facebook.com/mambanegraholes
https://www.facebook.com/dispositivo
https://www.facebook.com/projetocaleidoscopio
Keroøàcidu Suäväk

Clique e veja também o que rolou de som!

CENZO

BENJAMIM S.

ÉRICA (LIVE) 

AION 

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