27 de março de 2015

‘Quem trabalha não tem tempo de ganhar dinheiro’: estúdio fortalece o Hip Hop na zona sul de SP

Produtores montam estúdio no Grajaú para oferecer serviços de qualidade e preços baixos

Por Guilherme Almeida

A N-Corp Produções Artísticas tem cinco anos de existência e já trabalhou com nomes de peso da música nacional e internacional, como MC Guimê e Soulja Boy. Há quatro meses um novo estúdio, localizado no Grajaú, zona sul de São Paulo, deu início a uma nova fase da produtora.

“O proposito do N-Corp aqui é promover um contato desse pessoal da periferia com o profissionalismo”, explica Wagnovox, rapper e produtor do estúdio. A escolha do local não foi planejada, porém, não poderia ser mais acertada. O Grajaú é uma região conhecida como epicentro do rap.

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Wagnovox na produção no estúdio da N-Corp Music

No entanto, a falta de estrutura e oportunidades, realidade cruel dos bairros mais pobres, impossibilita que diversos MCs em potencial vivam da sua arte.

“A gente não esta aqui pra abrir espaço no bairro deles, é pra fortalecer mesmo”, conta o experiente Leandro Kaname. O cara já fez de tudo: teve casa de show no Japão, cantou no VMB, trabalhou com os integrantes do Charlie Brown jr e por ai vai. Kaname ressalta a importância de incentivar novos artistas para manter o Hip Hop vivo e crescendo: “A gente gera o trabalho, que gera o emprego pro nosso próprio movimento. Assim vai girando a engrenagem”.

Não se trata de caridade, o negócio é sério e tem oito funcionários. Os serviços oferecidos para os artistas da região são cobrado assim como qualquer outro estúdio faria. A diferença está na faixa de preços e na relação que se cria entre “produtores” e “produzidos”.

De acordo com Wagnovox, o propósito é fazer a cena crescer e impulsionar todos os envolvidos. “O principal é criar um time de pessoas que jogue junto com a gente”, diz.

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Kaname e Vox, idealizadores do projeto

Leandro Kaname tem seu próprio jeito de explicar as finanças: “Por enquanto estamos na fase do aperreio. Dinheiro é consequência do crescimento da família que corre com a gente. Para pagar as contas. A gente tem que fechar outros trampos, fazer umas festas. Quem trabalha não tem tempo de ganhar dinheiro, mano”.

Em quatro meses o estúdio “a preços populares” já gravou 12 EPs entre grupos e artistas solos. Além disso, eles estão trabalhando com um grupo de dança chamado Classic. “Grupos como esse são comuns na gringa e aqui a gente vê muito pouco”, observa Vox.


 Confira a página da produtora clicando aqui
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