03 de março de 2015

Sacola Alternativa reúne selos de gravadoras independentes no MIS

No dia 28 de fevereiro, o Museu da Imagem e do Som (MIS) sediou a primeira edição do evento Sacola Alternativa, que reuniu gravadoras independentes de todo o Brasil, com o intuito de divulgar o trabalho de grupos  e promover sua aproximação

Por Fernando Netto e Pedro Prata
Fotos: Fernando Netto

O evento contou com a presença de 18 selos independentes, incluindo a anfitriã e organizadora, Balaclava Records. Artistas e ilustradores também marcaram presença, expondo cartazes e pôsteres, materiais de divulgação. A programação para o auditório do MIS trouxe três palestras: músicos, jornalistas e empresários debateram sobre o retorno às mídias físicas (LPs, CDs, EPs, DVDs e fitas K7), o fortalecimento do streaming e venda digital e a efervescência do Indie no Brasil.

A palestra levou ao palco intendentes da cena musical, como: Mancha Leonel (Casa do Mancha), Alexandre Matias (Trabalho Sujo), Dago Donato (Neu Club), Henrique Faleite (Deezer Brasil), Fernando Dotta e Rafael Farah (Balaclava Records), Thiago Ney (IG) e Marcelo Costa (Scream & Yell), mediador de todos os debates e nosso entrevistado. Ao final do dia, a banda carioca Séculos Apaixonados, que faz parte do casting da Balaclava, se apresentou, encerrando a primeira edição do Sacola Alternativa.

Os produtores da gravadora Balaclava Records, Rafael Farah e Fernando Dotta, foram os idealizadores do projeto. “Nós já vínhamos mantendo um contato com o MIS para produção de shows de alguns dos nossos artistas”, contou Rafael. Eles tinham uma banda e resolveram criar a gravadora, após perceber que tinham muitos amigos com bandas de estilo interessante, mas que não conseguiam produzir seus discos: “Foi uma maneira de unir forças e dar chance a esses artistas”.

A Balaclava tem um contato com os artistas diferente do encontrado nas grandes gravadoras. Eles fazem não só o lançamento dos discos, como também todo o trabalho de produção de shows, divulgação, produção executiva e gerenciamento de carreira.

Outro selo presente era a UIVO Records. Guilherme, um de seus representantes, disse que a cena de música independente no Brasil ainda está desorganizada, mas que já vê uma atitude por parte das gravadoras para se reunir e se organizar: “São Paulo é muito bacana porque eu percebo que há uma comunicação com o movimento de Goiânia, de Recife e de João Pessoa”. Sobre a relação entre a mídia convencional e as gravadoras independentes, Guilherme considera que há uma alienação ao que ocorre no cenário alternativo.

Fotos: Fernando Netto
Foto: Fernando Netto

Guilherme Giralde, do selo RISCO, concorda: “Em São Paulo é possível perceber que os selos estão se organizando, e este evento é um exemplo disso, uma tentativa de criar mais oportunidades e que emerge dos próprios artistas e gravadoras”. Ele continua, dizendo que “o momento para o crescimento da música alternativa é agora”. Afirma, ainda, que a mídia convencional nunca foi antenada a tudo de novo que está surgindo, quem entende de verdade são jornalistas de blogs que não estão no mainstream e que conseguem dialogar com os selos independentes.

Jornalistas como Marcelo Costa, do blog Scream & Yell, que estava presente no evento e intermediou as palestras. Para ele, a boa música brasileira do momento está no cenário alternativo. “Há artistas com teor pop que poderiam alcançar o grande mercado, porém persiste uma rixa de ambos os lados: os artistas alternativos têm medo de ser manipulados pelo mainstream, ao passo que o mainstream desconhece o que está acontecendo no cenário alternativo”.

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