17 de março de 2015

Sem pressa

Ilustra: Gabriel Roemer
Ilustra: Gabriel Roemer
Por: Beatriz Mansano
Minha cicatrização está lenta.
Há uma semana cortei parte da ponta do dedo num papel.
O corte, em vinho, ainda está cercado por uma vermelha pele.

Pelo tempo, já não deveria nem ser lembrado.
Mas ainda está aqui.

Meu sangue corre pelas veias sem pressa.

A comida é digerida ao longo de horas. É constante o estado de saciação. Na fome, basta qualquer comida em qualquer quantidade. A saciação irá persistir por mais muitas horas.

Meu corpo ocorre em lentidão
Minha mente ocorre em confusão.

As mãos, apaixonadas pelo desenho das letras, estão viciadas em tinta. Com elas em função, a mente se liberta um pouco da prisão.

O domingo passa lentamente,
O dia também acordou hoje preguiçoso.
O Sol se escondeu atras das nuvens.
O cinza desenhou o tempo.
O café trouxe um pouco da luz ausente

fumaça.

Eu sigo sem pressa.
Não é preciso ter pressa…

O tempo da cicatrização varia.

Meu corpo ocorre em lentidão, e o domingo acompanha as batidas do meu coração…

Desritmadas e, constantemente,
sem pressa.

 

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