31 de março de 2015

Shows de Rap fazem tremer Calçadão Cultural do Grajaú

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Foto: Jay Viegas
Festival do Pé preto foi ao Grajaú e ocupou a praça com rap nacional de primeira qualidade

Por Patricia Iglecio

O Grito do Pé Preto fez tremer o Calçadão Cultural do Grajaú, no último domingo (29). Mais uma vez, o rap tomou conta da praça, agora com direito a street dance e shows musicais. O rapper Cauiby, a Mc Luana Hansen, o grupo Black Sensei e o DJ Funk-B marcaram presença. Durante o evento, o mestre de cerimônias, Ibe Rap, passou o microfone para outros Mc’s da região, que também somaram no festival.

Cauiby deu início ao show e mandou suas rimas, que representam um verdadeiro manifesto da população negra e periférica. Quando cantou “Vixi vixi”, uma de suas músicas mais famosas, Caiuby animou a praça e os passos de break invadiram o Calçadão.

“O sistema é corrosivo como câncer. Tira a vida, descaso, impunidade receitado ao pobricida. Soldado que luta, não esquece nossa raiz e o mestre que se foi deixou alguém como aprendiz. Consagrando ele, segue assim. E assim ele vai, destemido e preparado, quem? Nigga samurai, nascem milhares dos nossos cada vez que um nosso cai”, cantou.

Luana Hansen seguiu o fluxo da luta, começou avisando que o som dela desagrada os machistas e levantou a bandeira do feminismo. Temas como a violência doméstica e a legalização do aborto são tratados com muita força nas letras da rapper. Luana arrepiou a plateia, denunciou toda a opressão que sofrem as mulheres negras e periféricas. Sua música fez ecoar a voz feminina e a mulherada estremeceu o chão da região.

Foto: Jay Viegas
Foto: Jay Viegas

“Mulher no topo da estatística, 32 anos uma pobre vítima. Vivendo em um sistema machista e patriarcal, onde se espancar uma mulher é natural. A dona do lar. A dupla jornada, sempre oprimida, desvalorizada. Até quando eu vou passar despercebida? A cada cinco minutos uma mulher é agredida e você pensa que isso é um absurdo. A cada hora duas mulheres sofrem abuso. E sai pra trabalhar, pra quê? Para ser encochada por um zé que nem você!”, apavorou a rapper quando pegou no microfone, ao cantar sua música “Flor de Mulher”.

Para fechar as apresentações, o Black Sensei fez seu espetáculo. Além do ataque de rimas dos rappers Wagnovox, Leandro Kaname e o JPA, o palco foi contemplado com dois dançarinos mascarados que deram o tom da cenografia. Como de costume, os microfones ficaram abertos para os Mc’s da região soltarem seus improvisos antes e depois dos shows.

Praça ocupada é praça viva

Mesmo com o frio e a chuva o festival deu um exemplo de ocupação do espaço público. A praça tem sido pouco utilizada para eventos culturais nos últimos dois anos, de acordo com moradores da região, que denunciaram o abandono do Calçadão pelas autoridades públicas. Cássio, skatista do Grajaú, disse para a Vaidapé que um dos motivos do esvaziamento do espaço é a repressão policial.

“Eu mesmo já apanhei aqui umas três vezes dos polícia. Às vezes é só porque a gente tá andando de skate. Teve outro dia que a gente fava fazendo ato pela legalização da maconha aqui, veio os polícia e quebrou tudo”, denuncia.

Depois de um debate na praça com a Luta do Transporte no Extremo Sul, uma roda de conversa com a artista Linoca sobre a mulher na periferia e uma sessão de midialivrismo com o projeto Ecolab e a Vaidapé, o festival de música encerrou – provisoriamente – as atividades do Grito do Pé Preto no Calçadão Cultural do Grajaú.

Não acabou

A Vaidapé, idealizadora do projeto, vai continuar seu ciclo de atividades na zona sul nos próximos meses. A próxima parada é na Praia do sol, na orla da represa do Guarapiranga, e depois os eventos seguem até a Cidade Ademar.

Fique ligado na programação do Grito do Pé Preto clicando aqui.

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