17 de abril de 2015

Cantar a lua

Cantar a lua

 

É Lua o nome dela. Desde nova seu brilho encanta e ilumina todos os infames apaixonados. Representa o início de um novo ciclo, ou melhor, revive a tão esperada nova fase. O mar é o primeiro a se rebelar, grita tão alto que faz ensurdecer os gemidos sofridos das vilas já não mais sombrias. Após novos passos, essa dança conduzida pela Terra faz tremer a superfície da Lua, que de nova, se minguou. Já começa o desembalo dos então desapaixonados. É como a maré, que amansa.

O ápice dessa leveza se encontra pelas metades.

Metade da Lua, metade das almas, sedentas por sua outra parte. Cheia de tanto sufoco e lamento, a Lua se enfurece. Decide reviver quem era no começo. Apesar de igual, já não se mostra a mesma. Revolta as marés, ilude os sentimentos, esvazia as canções. Tímida, ela decide dessa vez voltar ao ciclo, sem pular as fases. Cresce a cada dia, amadurece a cada passo e, finalmente, se renova a cada mês.

Crônica Giovanna Fabbri

Ilustra Gabriel Roemer