09 de abril de 2015

Capoeirista transmite as origens da cultura afro-brasileira na Europa

Grupo brasileiro de capoeira, Angoleiros do Mar, promove aulas na Europa e busca transmitir as origens da cultura afro-brasileira nas terras do colonizador

Por Marcos Santos
Fotos: Marcos Santos

O baiano João Claudio Souza Passos, conhecido como Charel, dá aulas de capoeira na Europa, desde 2005. O capoeirista é integrante do grupo Angoleiros do Mar, que busca disseminar a história e cultura da atividade. Hoje está em Bruxelas, na Bélgica, e continua propagando as raízes afro-brasileiras pelo velho continente.

Criado em 1999, os Angoleiros já se espalharam pelo globo. Além de vários países da Europa, o grupo também da aulas em outros países, como México, por exemplo. Charel, que também é músico e compositor, conta para Vaidapé seu envolvimento com a arte e como pode desenvolver seus trabalhos na Europa.

“Ser Angoleiro é a mesma coisa que amar a cultura afro-brasileira, de sempre ajudar o próximo, de ser livre, é uma expressão artística e de vida.”

Confira  a entrevista:

Vaidapé: Quando e como você começou a treinar capoeira?

Charel: Eu conheci a capoeira aos 7 anos de idade com o mestre Lua Rasta e, nesse tempo, era como uma brincadeira. Mas treinei regional com 15 anos e a capoeira angola aos 24 anos, com o mestre Marcelo Angola.

Como você veio ensinar capoeira na Europa?

Em 2005 eu vim para a Europa com meu primo, que precisava de alguém pra substituí-lo por um mês em Lille, na França. Isso tudo dentro do mesmo grupo, os Angoleiros do Mar.

Qual a história dos Angoleiros do Mar?

Os Angoleiros do Mar é um grupo de capoeiristas formado em 1999, na ilha de Itaparica, na Bahia, pelo nosso mestre Marcelo Angola. Nosso grupo tenta preservar e ampliar a capoeira, buscando desenvolvê-la de várias formas, sempre respeitando o próximo e transmitindo a cultura afro-brasileira como forma de arte em geral.

O que é ser um Angoleiro?

Ser Angoleiro é a mesma coisa que amar a cultura afro-brasileira, de sempre ajudar o próximo, de ser livre, é uma expressão artística e de vida muito forte. A capoeira de Angola sempre busca seu desenvolvimento e ampliação da capoeira como expressão artística, cultural mesmo.

Pessoalmente, você considera que, depois da chegada do grupo Angoleiros do Mar na Europa, há um entendimento maior sobre a cultura afro-brasileira dentro do velho continente?

Sim, com certeza. Nosso grupo sempre tenta transmitir as origens da capoeira e o pessoal aqui, os europeus, já tem e já tinham um bom conhecimento da cultura afro-brasileira.

Vocês pretendem expandir esse projeto, como, por exemplo, para a Ásia ou America do Norte?

Os Angoleiros do Mar já estão em todo lugar né, já estamos em muitos países da Europa. Já estamos no México, mas ainda não temos ou pensamos em um grupo no Estados Unidos, por exemplo.”

Você também é músico, compositor e cantor. Quando começou e o que te levou para o mundo musical?

Comecei a tocar violão desde muito cedo, eu compus e escrevi musicas sobre experiências pessoais, experiências de vida e da cultura popular baiana. Um poco depois que eu cheguei na Europa, encontrei com o Sangue Bom, ele é um francês que ensina capoeira também, e, assim como eu, curtia música. Quando a gente se encontrou, foi uma conexão total, eu mostrava minhas musicas e ele falava “Po, vamos grava aí, vamos vê como fica!”. Desde então, estamos sempre juntos fazendo musica, e criamos o grupo No mundão de Rôlé. Nos reencontramos em 2012 para gravar nosso primeiro álbum em Paris.

Depois do álbum “No mundão de Rôlé”, lançado em 2013, vem mais coisa por aí?

Sempre fazemos novos sons, tentamos fazer novas musicas. Mas o maior projeto que estamos desenvolvendo no momento é um documentário sobre nossas musicas gravadas no Brasil, porque foi tudo muito “daóra”, as imagens, o som. Ficou tudo até melhor do que o esperado, então estamos tentando consolidar a gravação desse documentário.

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