17 de abril de 2015

Greve de professores: entre a negligência do estado e da grande imprensa

Presidenta do sindicato do professores do estado de SP encaminhou uma carta ao diretor de jornalismo da Rede Globo pedindo coerência na cobertura da greve

Por Victória Candian
Fotos: Victória Candian

Com mais de um mês de paralisação, a greve de professores da rede pública estadual reúne 75% da categoria, segundo o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). O governador Geraldo Alckimin (PSDB) não abriu espaço para diálogo e nem apresentou propostas aos educadores. Seu único pronunciamento foi que “esta greve não passa de uma novela, e que as coisas logo voltarão ao normal”. Anteriormente, Alckmin alegou a adesão de 2,6% da categoria.

A última assembleia promovida pela Apeoesp, ocorreu nessa quarta-feira (15), na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Sem apoio nem presença de deputados, ministros ou mesmo o próprio governador. Professores clamaram por reajuste salarial, salas de aulas com no máximo 25 alunos, melhor infraestrutura e a suspensão do PL 4330, que terceiriza o trabalho.

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Recentemente, a rede estadual de ensino sofreu um corte de mais de 3.300 salas de aula. Os grevistas apontam sérios problemas para realizar seu trabalho. Segundo Itamar, 55, professor de matemática, além do excesso de alunos nas salas, há problemas de infraestrutura. Faltam materiais básicos como apagador, giz, papel higiênico e água. Itamar acrescenta que apenas 0,6% das escolas brasileiras têm infraestrutura próxima da ideal para o ensino. Isto é, biblioteca, laboratório de informática, quadra esportiva, laboratório de ciências e dependências adequadas para atender a estudantes com deficiência física.

A equipe da Vaidapé ouviu relatos de salas com 80 alunos, falta de carteiras para os estudantes, ausência de verba para o xerox, entre outros problemas básicos, que não permitem o pleno funcionamento das atividades escolares. Para Itamar, a escola deveria ser palco de liberdade individual. No entanto, nas salas de aulas superlotadas não há como dialogar ou dedicar a mínima atenção necessária ao estudante.

A cobertura da greve feita pelos grandes veículos de comunicação foi discutida na assembleia da Apeoesp. A presidente do sindicato, Maria Izabel Azevedo Noronha, ou Bebel, encaminhou uma carta ao diretor de jornalismo da Rede Globo pedindo coerência na cobertura do movimento, em respeito aos milhares de professores que estão na luta.

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A assembleia também pautou o PL 433, conhecido como PL da terceirização. Vale ressaltar que a maior parte dos professores da rede estadual têm contratos temporários, sem direito a seguro de saúde e outros benefícios. O salário médio dos educadores é metade dos trabalhadores concursados com ensino superior. Muitos professores chegam a trabalhar 16 horas por dia, ou mais, em escolas diferentes, para conseguir um salário digno.

A presidente da Apeoesp divulgou que existe apoio dos alunos e de seus respectivos pais sobre a greve, que eles estão de um lado e o governo de outro. Enquanto não houver formulação de novas propostas e ajustes, a greve continuará.

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