29 de abril de 2015

Renan Inquérito apoia a diversidade no rap, mas reforça crítica à mídia e mercado

Novo episódio da série “O que é o Rap?” estreia na Vaidapé com Renan Inquérito. Saiba como foi o papo sobre a indústria cultural, a relação do rap com a política e suas ideologias.

Por Iuri Salles

Renan é o líder do Grupo Inquérito. Com 15 anos de carreira e quatro álbuns no currículo, o grupo vive hoje seu momento de maior destaque e maturidade artística. A música gravada com Arnaldo Antunes, “Versos Vegetarianos”, marcou presença na lista das 100 melhores músicas de 2014 da revista Rolling Stone.

Logo após o “Parada Poética”, sarau itinerante promovido pelo grupo, Renan Inquérito recebeu a equipe da Vaidapé para trocar uma ideia. O rapper, que também é professor e geógrafo, iniciou o papo comentando sobre a veiculação do rap na televisão.

“O meio de comunicação vive de anúncios e audiência. Então, se aquilo vende ou dá audiência, interessa para a TV. Até porque, a meu ver, a TV tem pouca ética e ela não respeita nenhum princípio. Agora, se o rapper X ou Y se perder ao ir à TV, aí já é outra coisa”, comenta.

Foto: Antonia Baudouin
Sarau “Parada Poética”, idealizado por Renan Inquérito, no Centro Cultural da Juventude. (Foto: Antonia Baudouin)

Contrário à ideia de dividir os rappers e o público por épocas, Renan acredita na diversidade dentro de um mesmo cenário musical. “Muitas vezes a gente pega a diversidade e transforma em divergência. As vezes eu ouço: ‘O cara faz um rap que eu não gosto, isso não rap!’ […] Nós não somos donos do rap, é bom que tenha diversidade. Agora, se é bom ou se é ruim [pro rap nacional]? Acho que quando aumentou o número [de rappers], a qualidade caiu”, explica.

Renan afirma que a temática do rap nacional é muito influenciada pelo cotidiano do povo pobre. Assim, as transformações sociais do país, nos últimos anos, influenciam nas letras das novas gerações do rap. Ele disse:

“No governo do PT o Brasil mudou. Muita coisa melhorou, principalmente para a parcela mais pobre da sociedade, que é quem faz o rap. Claro que isso refletiu na vida desses caras e eles quiseram cantar isso. Mas, se piorar a gente vai cantar também, porque a gente canta o que vive. Sem hipocrisia”.

Durante toda a entrevista Renan se manteve com forte posições ideológicas, fazendo referência à grandes pensadores, como Eduardo Galeano, intercalando com suas influências na cena nacional, como o rapper Gog e Edi Rock. O papo chegou ao fim e Renan encerrou com chave de ouro, recitando Paulo D’aurea, integrante do Poetas do Tietê:

“Se deus quisesse que o homem se enquadrasse, ele fazia a cabeça quadrada. Cabeça é ovo, cabeça não é ninho. não é lugar de se acomodar. Cabeça é ovo. É feita pra botar e pra quebrar.”

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