11 de maio de 2015

7 falas de Telhada para entender quem está cuidando dos Direitos Humanos em São Paulo

Por Henrique Santana
Ilustra: Vitor Teixeira

Na sexta-feira (8), o ex-policial e hoje deputado, Coronel Telhada (PSDB), assumiu uma das 11 cadeiras que compõem a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Em seu perfil do Facebook, Telhada comemorou a nova posição:

“Agora sim teremos na ALESP uma comissão de Direitos Humanos que realmente se preocupará com os Direitos de todos os cidadãos.
Policiais Militares são os verdadeiros defensores dos Direitos Humanos pois diariamente arriscam suas vidas por outros humanos e juraram sacrificar as próprias vidas se preciso for pela vida dos outros humanos…
Quer mais do que isso???”

O Coronel ficou famoso no comando da ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), entre maio de 2009 e dezembro de 2011. Sob sua administração, a corporação mais do que dobrou o número de mortes em relação ao período que o antecedeu, com aumento de 63,16% na letalidade.

Nesse ano, a ROTA também se destacou por ter sido o grupo policial que mais matou no estado.

A Vaidapé elencou sete falas de Telhada para você entender melhor quem está defendendo os Direitos Humanos em São Paulo.

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1. ‘Bandido tem que ir para o saco’

A Polícia Militar de São Paulo, no ano passado, bateu recorde de mortes: 816 pessoas. A letalidade foi a maior da história da instituição, superando inclusive os anos de 2006 e 2012, quando a corporação teve uma série de confrontoscom o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Em janeiro de 2014, 76 pessoas já haviam sido mortas por policiais militares. O número foi o mais alto para o mês em dez anos. Na época, Telhada recebeu a Vaidapé em seu gabinete e afirmou: “A Polícia Militar matou 76 em janeiro? Foi pouco. Quanto mais bandido for para o saco, melhor, porque é menos gente para me encher o saco”.

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2. A Câmara ‘deveria ter um controle de entrada e saída igual das empresas’


Quando assumiu o cargo de Vereador em São Paulo, o ex-comandante declarou que queria criar “um controle de entrada e saída [no prédio da Câmara] igual das empresas. Como justificativa, Telhada afirmou: “Não é que eu seja contra morador de rua, mas não dá para aceitar um monte de pessoa que entra lá para tomar banho na pia do banheiro”.

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3. ‘O sul e o sudeste deveriam iniciar o processo de independência’

“Por que devemos nos submeter a esse governo escolhido pelo norte e nordeste? Eles que paguem o preço sozinhos. O sul e o sudeste deveriam iniciar o processo de independência de um país que prefere esmola do que o trabalho, preferem a desordem ao invés da ordem, preferem o voto de cabresto do que a liberdade”, afirmou Telhada, logo após a reeleição de Dilma Rousseff (PT), em outubro do ano passado.
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4. ‘Não estamos falando de crianças abandonadas, mas de criminosos’

Em reunião na Comissão Especial da Maioridade Penal da Câmara dos Deputados, Telhada declarou: “Não estamos falando de crianças abandonadas, mas de criminosos”. A comissão analisa a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que propõe a redução da maioridade.
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5.  ‘Meu partido é a Polícia Militar’

Em entrevista a Vaidapé, rodeado por brinquedos de temática policial e quadros da ROTA, o ex-comandante declarou sua lealdade à instituição em que atuou. “Meu partido é a Polícia Militar. Eu sempre vou defender os policiais”, afirmou.

Leia a reportagem completa clicando aqui.

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6. Defesa dos Direitos Humanos dos ‘cidadãos de bem’

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Em 2012, quando o ex-comandante foi questionado sobre a possibilidade de integrar a Comissão de Direitos Humanos, disse : “Olha, não existe ninguém que defenda mais os direitos humanos, os direitos dos cidadãos, do que a PM. Mas defendo que o cidadão de bem seja valorizado e o bandido seja colocado na cadeia. Precisamos de uma mudança na legislação para acabar com o indulto e com as visitas íntimas. Isso só existe no Brasil”

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7. Ditadura? ‘Temos que parar de falar nisso. Já faz 50 anos’

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“Não existe verdade só de um lado. A verdade tem três fases: a minha verdade, a sua verdade e a verdade verdadeira”, declarou Telhada à Vaidapé.  A partir da reflexão, criticou a Comissão da Verdade e os parlamentares que evocaram o regime militar no plenário da Câmara: “Temos que parar de falar nisso. Já faz 50 anos”, reclama. “Quem está interessado em lembrar-se da ditadura é quem não tem propostas para resolver os nossos milhares de problemas”.

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