26 de maio de 2015

Francisco Toledo comenta projeto do Guerrilha que investiga deputados federais

O sistema de representação democrática do Brasil deveria aproximar o cidadão daqueles que ocupam cargos eletivos. No entanto, a realidade é outra

da Redação

Se já é difícil encontrar alguém que lembre o nome dos deputados mais famosos de seu estado, aqueles que se tornam lideres de bancada ou presidentes de comissões, imagine quantos nomes ficam blindados pelo esquecimento durante anos de gestão.

Batemos um papo com Francisco Toledo, um dos idealizadores do Guerrilha GRR, que recentemente inaugurou uma série de reportagens intituladas #GuerrilhandoOCongresso. A ideia da iniciativa é chamar atenção para políticos que se mantém no poder através de sua base eleitoral.

Leia a entrevista:

Vaidapé – Como surgiu a ideia do #GuerrlhandoOCongresso?

Francisco Toledo – A ideia surgiu no meio de uma conversa entre os colaboradores, dias depois do Beto Richa (PSDB), governador do Paraná, reprimir os professores. Isso acabou gerando um debate bem legal em torno da política [institucional], aquela que de fato atua no poder público, etc. Acabou vindo o questionamento: enquanto a grande mídia prefere pautar o Planalto, quem acaba dando atenção aos políticos “mais locais”, ou aqueles sem tanta influência midiática? Só depois da repressão aos professores que diversos escândalos envolvendo o Beto Richa surgiram na grande mídia nacional, sendo que são casos que já estavam lá. Por que ninguém pautou? Nisso veio a necessidade de criarmos algo, um projeto, uma série de reportagens sobre esses caras, que precisam ser “monitorados” pela sociedade.

Como esta série expõe a complexidade da corrupção?

Acho que a ideia central é tirar da cabeça do leitor que a corrupção é um problema centralizado no Planalto ou em um partido, ela faz parte de um sistema que existe faz décadas, e que atua na sua perfeita forma através daqueles personagens pequenos, que estão longe do foco. Por exemplo, o primeiro deputado federal que escolhemos para o projeto se chama Jefferson Campos, do PSD. Ele atua com uma base eleitoral muito local, ali na região de Sorocaba. Você já havia ouvido falar dele? Não, certo? Então, o problema é que ele é o vice-líder do PSD na Câmara, um dos partidos que mais cresceu nos últimos anos graças ao Kassab. E como vice-líder, o cara quer estabelecer uma lei que dê ainda mais poderes para as igrejas evangélicas no Brasil, a chamada Lei Geral das Religiões. E ele tem apoio não só da bancada evangélica como também do PMDB, sendo que ele havia se encontrado com o Renan Calheiros semanas atrás pra debater o assunto. Pior ainda: como vereador eleito na sua cidade, Sorocaba, ele criou uma lei absurda que incluia a Teoria da Criação no currículo escolar. Isso é surreal! Se fosse em uma cidade como São Paulo, acabaria rendendo um debate gigante, mas como aconteceu em uma cidade do interior, foi abafado. Isso sem contar os escândalos de corrupção que ele se envolveu e sua ligação com uma das maiores igrejas do Brasil. Temos ai um político no mesmo nível de gravidade que o Feliciano, mas ninguém sabe quem é. Entende a necessidade de expormos isso?

De que forma vocês acreditam que o #GuerrilhandoOCongresso pode impactar a sociedade?

Acho que podemos impactar o leitor mostrando exatamente isso, que a corrupção e o avanço conservador fazem parte de um sistema sustentado pela própria sociedade, principalmente no interior dos estados. Quando começarmos a questionar deputado por deputado, vamos entender que o problema central não é o Planalto. Não se trata de amenizar a responsabilidade do governo federal em casos de corrupção, e sim mostrar que se trata de algo cotidiano e que se não mudarmos radicalmente o sistema, não adianta.

Qual o critério de seleção? Deputados federais com mais afinidade ideológica com o Guerrilha serão poupados?

Antes da primeira reportagem nós pedimos aos seguidores do Guerrilha que indicassem alguns deputados locais. Além disso também estamos pesquisando deputados que já possuem um histórico notável de corrupção – como foi o caso do Paulinho da Força, do Soliedariedade – mas que conseguem ser reeleitos facilmente utilizando uma base política – seja os sindicatos ou as igrejas. Mas o foco mesmo é pegar esses deputados do interior, como o Jefferson Campos, que possuem uma bagagem política até então desconhecida, mas que contam com um currículo manchado de casos de corrupção. Sobre afinidade ideológica, não vai ser poupado também. Até porque, no atual Congresso, dá pra contar nos dedos os deputados e senadores que seguem as políticas públicas defendidas pelo coletivo. São poucos.

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