21 de maio de 2015

‘O rap maloca não pode acabar’, afirma Thig, ex-integrante do Relatos da Invasão


Ex-integrante do grupo Relatos da Invasão e autor do hit “Jaçanã Picadilha”, Thig deu entrevista à Vaidapé para a série “O que é o Rap?”

Por Iuri Salles
Fotos: João Miranda

Com um álbum lançado pela gravadora Equilíbrio, de KL Jay (DJ dos Racionais MC’s), e três mixtapes independentes, Thig é um dos principais nomes do rap maloqueiro. O rapper estourou no circuito nacional em 2008, com a música Jaçanã Picadilha, considerada até hoje um clássico do rap nacional.

Junto com o MC Negrinho e DJ Pampa, formavam o conhecido Relatos da Invasão. Após o fim do grupo, Thig seguiu carreira solo e fundou seu próprio selo independente: Fatura Records.

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Thig recebeu a Vaidapé no estúdio da Fatura Records e já iniciou a entrevista falando sobre como é ser jovem e negro dentro da periferia, ressaltando que é fundamental trazer as raízes do gueto para sua música, que considera um verdadeiro “rap de maloca”. Ao perguntarmos suas influências, logo citou: Bitrinho, Flow MC, Sombra e Raphão Alaafin.

POLÍTICA

Questionado sobre o interesse da juventude mais pobre em entender as engrenagens do sistema político, Thig creditou isso à impunidade que recai sobre os ricos, o que desestimula o jovem negro da periferia a ter esperanças no país:

“No Brasil, a gente já criou o prospecto que o nosso país não tem jeito. Ele [jovem negro da periferia] vê o cara que roubou milhões ir preso, alegar doença e ir para casa… Uma casa que seria uma festa para o gueto […] Então pro jovem de periferia, ele nem quer ficar expondo suas ideias, ele me fala: ‘Thig, passa o copo aí que nem vale a pena a gente ficar trocando essas ideias’. É isso que acontece na periferia”, pontuou o rapper.

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Thig acredita que a política do dia a dia, quando bem intencionada e executada por pessoas comuns, é uma forma de se construir um lugar melhor.

“Você montar um estúdio dentro da quebrada e colocar um mano para gravar outros parceiros, e isso virar uma moeda para ele, é política. A biqueira da quebrada é política. Eu acredito nas pessoas fazendo uma movimentação política para tentar mudar alguma coisa”, finalizou.


REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL

Após conversar sobre a realidade do jovem na periferia, Thig se posicioinou sobre a proposta de redução da maioridade penal que tramita no Congresso Nacional. O projeto pode reduzir a idade penal dos jovens que cometerem crimes de 18 para 16 anos. Sobre o assunto, o rapper respondeu:

“É um fato interessante isso, né? Eles estão discutindo a pena para menor de dezesseis anos. Milhões foram roubados e os caras [políticos] estão debatendo a consequência do problema que eles causaram. O moleque que está com dezesseis, doze, treze, quatorze anos roubando é fruto da falta de educação, cultura, entretenimento. Da falta de estabilidade que veio dos pais e dos avós dele.

Ninguém quer ver a causa, só a consequência. Aí chama os moleques de terrorista? São terrorista mesmo. Imagina o cara crescer nesse lugar aqui, numa periferia, onde não tem um centro cultural. Agora está tentando ter, mas há dez anos atrás não tinha. E se tem, o que ele vai fazer lá?

O pior é você ver as pessoas, ‘os nossos’, abraçando essa causa. Se você for na minha rua e perguntar o que acham [da redução da maioridade penal], vai encontrar uma senhora que é a favor, porque ‘os meninos tão demais’. Mas ela não consegue entender toda a ramificação, a projeção feita em cima dessas crianças para que elas se tornassem as ‘crianças perigosas'”

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