01 de maio de 2015

Protestos em solidariedade à Baltimore se espalham pelos Estados Unidos

As manifestações denunciam a recorrência da violência policial contra negros em todo o país.

Por Thiago Gabriel, de Nova Iorque

Na noite de quarta-feira (29), diversas cidades dos Estados Unidos foram tomadas por protestos em solidariedade à Baltimore. Nova Iorque, Washington DC, Minneapolis, Boston, Denver, Chicago, Los Angeles foram algumas das cidades que participaram do levante popular.

Na capital federal, os manifestantes marcharam até a Casa Branca e afirmaram que o movimento é importante para reforçar que os abusos da força policial contra a população negra não são exclusividade de Baltimore, e a necessidade de uma discussão nacional em torno do tema.

Em Nova Iorque, centenas tomaram às ruas em diversos protestos pela cidade. A principal concentração aconteceu em uma das mais famosas praças de Manhattan, a Union Square. Desde o início do ato, a polícia realizou prisões arbitrárias, visto que não foi registrado qualquer episódio de violência por parte dos manifestantes. Ao final da noite, 143 pessoas haviam sido detidas.

Após a concentração inicial, a marcha seguiu em direção a um dos cartões postais da cidade, a Times Square.

Manifestantes na Times Square (Foto: Revolution News)
Manifestantes na Times Square (Foto: Revolution News)

No início da noite, o protesto já tomava conta da região, e chamava a atenção de turistas, que tiravam fotos e, em alguns casos, até se juntavam aos ativistas.

A ordem policial era para que os manifestantes permanecessem na calçada, sem bloquear o tráfego de veículos. Um cordão de isolamento acompanhou o trajeto para impedir, muitas vezes de forma truculenta, que os manifestantes tomassem às ruas. Os que não obedeciam eram rapidamente algemados e levados presos. A hostilidade policial também era direcionada à imprensa. Os oficiais cercearam o trabalho de jornalistas que não exibiam crachás de identificação e impediram profissionais de gravarem as cenas das prisões efetuadas.

A indignação tomou conta de quem participava do protesto. “Toda vez que uma situação como essa (Baltimore) ocorrer, é isso que vocês vão ver (protestos)”, afirmou Azeya, um jovem negro, “E vai ficar pior. Se vocês não consertarem o país irá ficar pior, isso vai direto para a Casa Branca, consertem isto!”, completou Nate.

“Nós estamos aqui porque vidas negras importam. Estamos aqui porque a América tem sistematicamente exterminado negros diariamente e nada tem sido feito com relação a isso. Da Casa Branca às instância menores. Temos sido encarcerados, não nos fornecem educação, as condições de moradia são péssimas, nos tratam muito mal neste país. E eles nos devem porque nós construímos este país, de graça!”, afirmou Nate.

O movimento não é composto apenas por cidadãos negros. A indignação atinge pessoas de todas as classes e etnias, que aderiram aos protestos. Ross, estudante, afirma que “os Estados Unidos tem vários sistemas de opressão, como o racial, contra o qual estamos protestando hoje”. Ele argumenta que o que aconteceu em Baltimore é recorrente há anos em todo o país, e só tem ganhado mais atenção da mídia recentemente porque “celulares e câmeras estão mais acessíveis e as pessoas tem filmado ações policiais e tido a coragem de apresentar as gravações publicamente”.

A marcha seguiu durante toda a noite, e terminou no local de início, a Union Square, por volta das 23h.