16 de junho de 2015

‘O Plano Senzala está em curso’, Gaspar fala sobre racismo e hip hop

Autor do livro “O Brasil é um Quilombo”, MC Gaspar deu entrevista em nome do Z’África Brasil, um dos grupos mais antigos de São Paulo, para a série “O Que é o Rap?”

por Guilherme Almeida

O Z’África Brasil chega em 2015 a uma marca impressionante: 20 anos de existência. Ao longo das duas décadas, cinco discos independentes foram lançados. O mais recente, “Ritual 1 – A vida segundo os elementos do hip hop”, faz parte de uma trilogia que será produzida nos próximos anos. O álbum pode ser baixado gratuitamente no site do grupo.

Você com certeza já ouviu as vozes marcantes de Funk Buia, Gaspar e Pitchô acompanhadas das batidas certeiras do DJ Tano. Nas letras a temática principal é a resistência. O Z’África Brasil é um pilar da cultura hip hop. Além de atingir grandes públicos com hits, fornecer músicas para trilhas sonoras e projetar o rap nacional na gringa, o grupo se dedica ao trabalho de base.

O papo sem curva foi ali mesmo, na varanda da rádio.

Desde 1997 os integrantes dividem seu tempo para dar oficinas sobre os elementos do hip hop. O próprio Gaspar estava a caminho de um encontro do projeto Afrobase, na zona oeste de São Paulo, quando concedeu essa entrevista. Ele havia acabado de participar do programa Submundo do rap, na rádio comunitária Cidadã FM.

Plano Senzala

Dos africanos mortos em naufrágios criminosos ao tentar atravesar para a europa até os jovens negros exterminados por forças do Estado no Brasil, Gaspar analisa os mecanismos que perpetuam o racismo institucional. “Eles são guetofóbicos”, dessa forma o MC explica a seletividade do trabalho da polícia. “Quando a polícia vai pra rua eles têm um elemento suspeito. Esse elemento suspeito é um alvo, e geralmente é preto e periférico”, conclui.

 

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