21 de agosto de 2015

Ato em Osasco lembra os 18 mortos da chacina de 13 de agosto e pede justiça


A mobilização reuniu moradores do bairro do Munhoz Jr. e movimentos sociais em um ato ecumênico em frente ao bar onde ocorreram as execuções


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Por Iuri Salles
Fotos: Thiago Gabriel

Na noite desta quinta feira (20), moradores do bairro de Munhoz Jr, em Osasco, se reuniram com parentes para lembrar as vítimas da chacina do dia 13 de agosto, em que homens encapuzados mataram 18 pessoas na região de Osasco e Barueri, na Grande São Paulo.

O ato contou também com a presença de integrantes de movimentos sociais como Mães de Maio, Comitê Contra o Genocídio da População Preta Pobre e Periférica e a União dos Estudantes de Osasco (UEO), que manifestaram apoio às famílias. O prefeito de Osasco, Jorge Lapas (PT), afirmou as organizadoras que iria, porém não compareceu.

A cerimônia reuniu pastor evangélico, pai de santo, e padre católico, além de moradores da região que também registraram seu desabafo. Mais de 100 pessoas saíram em caminhada nos arredores do terminal de ônibus Munhoz Jr. lembrando os mortos e cobrando justiça pelo massacre de 13 de agosto. Após a caminhada, os moradores fizeram uma chamada com o nome das vítimas assassinadas. O ataque ao Bar do Juvenal, na rua onde ocorreu o ato, foi responsável por 10 mortes.

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O clima no bairro Munhoz Jr. é de medo, os moradores estão assustados. As ruas antes movimentas durante a noite, como é comum das periferias, agora ficam desertas por volta das 22h. “Aqui me perguntaram se tem toque de recolher. A própria população tá se dando toque. Como diz, ‘ninguém tá dando mole né'”, afirma Zilda Maria de Paula, mãe de Fernando ‘Abuse’, uma das vítimas dos ataques.

A chacina do dia 13 de agosto foi a maior registrada neste ano, em que a Policia Militar do Estado de São Paulo bateu recorde de letalidade com mais de 500 mortes. Ainda em 2015, 72 pessoas foram mortas em chacinas na região metropolitana do estado. Segundo declarações do Secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes, a principal linha de investigação é a atuação de grupos de extermínios formados por policiais. Até agora, ninguém foi preso.

O pixador Cripta Djan, que mora na rua onde ocorreu um dos ataques, colou no ato para prestar seu apoio, “É a mão do Estado batendo forte, cobrando pessoas inocentes numa guerra que elas não tem nada. Eu vejo como uma ação covarde matar pessoas que não tem como se defender”, desabafou Cripta sobre a atuação de grupos de extermínio.

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