26 de agosto de 2015

Ensinar sem decorar: Conheça o projeto Âncora


Em Cotia, região metropolitana de São Paulo, projeto oferece educação gratuita e sem sala de aula


Por João Previ e Natalie Majolo
Fotos: Duda Gulman

Nada de alunos voltados para o professor. A sala de aula se confunde com uma sala de recreação. Aliás, nada do termo “aula”: ali não existem professores ou alunos, mas sim educadores e educandos. Localizado em Cotia, na grande São Paulo, o Projeto Âncora possui um sistema educacional inovador.

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O próprio educando faz o seu programa de aprendizado, guiado por um educador. Esses termos, que substituem o antigo “aluno” e “professor”, tem como propósito demonstrar que o aprendizado não possui somente um sentido. Ou seja, que o conhecimento é uma via de mão dupla onde o aprendizado é mútuo.

Para o educador Victor Lacerda, a resposta e a aprendizagem no projeto é diferente se comparada a outras escolas. “Eu percebo como a aprendizagem vem de dentro para fora, no sentido de como a criança se apropria, mesmo, do conhecimento”, diz. Lacerda ainda ressalta que uma das principais funções do educador é formar crianças que aprendam a aprender.

Criado no século XIX, o atual sistema de educação das escolas brasileiras não corresponde as necessidades atuais. O projeto Âncora se fundamenta na teoria de autores como Paulo Freire, cuja pedagogia se dá pela autonomia do educando.

As crianças não são separadas por séries ou por idade, mas pelo seu grau de autonomia nas atividades. Para a coordenadora geral do Ancora, o aprendizado também depende da vontade da criança em aprender. “Quando você tem interesse no assunto, você vai procurar sobre ele. Você vai atrás do conhecimento, pra resolver aquela situação que é importante pra você”.

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Há o planejamento semanal, com um cronograma diário de estudos para cada criança. O educador os guia, e é responsável por avaliar e indicar a melhor maneira para que seus objetivos se completem. Assim, os educandos aprendem o conteúdo exigido pelo MEC, mas através de diferentes métodos, contextualizados a sua realidade e com referências práticas.

“Quando você tem interesse no assunto, você vai procurar sobre ele. Você vai atrás do conhecimento”

A criação de uma horta no projeto é um exemplo de atividade prática. Originada de uma iniciativa dos próprios educandos, as crianças aprendem não só sobre meio ambiente e jardinagem, mas também geografia, química, biologia e matemática ao estudarem o solo, as plantas e seu crescimento.

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Os projetos também ultrapassam os muros da escola, como explica Caio, de 9 anos: “Comecei um projeto com mais cinco crianças que queriam acabar com o lixo no mundo, que tá muito poluído. A gente resolveu começar pelo bairro que moramos, o Recanto Suave, que tem muito lixo. Já estamos ajudando, fizemos até um mutirão”.

De acordo com o progresso da criança, ela passa para o próximo estágio. São três: iniciação, desenvolvimento e projetos. No último período, cada uma pode criar o próprio projeto de maneira individual, ou participar de um grupo já formado.

O aprimoramento da criança não é medido somente pelo seu grau de independência. A escola possui como pilares valores de afetividade, honestidade, respeito, responsabilidade e solidariedade. Assim, educandos, educadores e funcionários criam laços que são evidentes: durante a visita ao Projeto, fomos recebidos com beijos e abraços. E essa lição, não achamos em nenhum livro.

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O pátio do projeto Âncora: educação gratuita e sem decoreba
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