10 de setembro de 2015

Cursinho Livre da Lapa promove campanha de arrecadação de fundos


Visando formação crítica, rompendo com as práticas massificadas de ensino pré-vestibular, o Cursinho Livre da Lapa faz campanha para se manter

Por Carlos Braga
Fotos: Cursinhho Livre da Lapa

Você já se imaginou em uma sala de aula onde o professor não fosse o comandante geral e as vivências e histórias pessoais também fizessem parte importante à formação?

Já são famosas pedagogias como as adotadas pela Waldorf ou a Construtivista, sem nunca esquecer das lições em Pedagogia da Autonomia, de Paulo Freire, em que estão instalados os germes da libertação e humanização para a nova escola revolucionária. Não se trata de um mero serviço escolar ou de uma industria de instrução para o mercado de trabalho. Aqui germina uma nova forma de ensino para a autonomia.

No Cursinho Livre da Lapa mulheres e homens recebem educação gratuita através da vivência de práticas fora do convencional. A Iniciativa autônoma do espaço de ensino surge dentro da Casa Mafalda com o desejo de construir uma vivência de educação libertária. Os vários colaboradores, educadores e militantes do projeto sustentam este trabalho sem auxílio externo.

aula

As salas de aula são dispostas no formato de circulo, como uma assembleia. Todos se vêm e todos participam. Esta estrutura horizontal, inspirada em práticas como a da Escola Moderna e dos bachilleratos populares na Argentina, se propõem a gestão compartilhada entre estudantes e educadores, feita de forma antiracista, não-homofóbica, feminista, não-lesbofóbica e anti-transfobica. As tomadas de decisão são feitas em conjunto e por consenso.

A ideia principal é que essa experiência seja pré-universitária e não apenas pré-vestibular, que as e os estudantes ingressem na universidade de modo profundamente crítico e não somente tenham bons resultados numa prova eliminatória e elitista como o vestibular. É também direcionado para quem deseja voltar a estudar, prestar vestibulinho ou busca reforço paralelo à escola.

Além das matérias diretamente exigidas pelo vestibular, há também a grade voltada para linguagens e política, o que permite garantir um olhar mais cuidadoso para a sociedade. As linguagens artísticas, o corpo e o indivíduo são aspectos normalmente negligenciados ao longo da trajetória escolar.

rodaas

Esta é uma luta imediata, uma vez que, para de fato transformarmos a educação e o modo como a vemos atualmente, precisaríamos acabar inclusive com o formato competitivo e individualista da educação capitalista e com o sistema da meritocracia, expresso no modelo de provões absurdos – os vestibulares.


Que os mais diversos pensadores das mais diversas áreas possam surgir nas periferias das cidades, pensando a partir de seus pontos de vista, ou seja, da cultura e da realidade em que vivem


A manutenção deste espaço depende de todx! Participe da campanha

Todas as educadoras e educadores são voluntários e o grupo de alunos é composto por sua maioria de mulheres. Todos os participantes enfrentam a dificuldade de manter seus vários custos, desde aluguel, xerox, produtos de limpeza e transporte público, o que culminou em desistências do curso.

Como foca suas atuações em uma vertente libertária, além de um constante processo de desconstrução de práticas proto-fascistas, o Cursinho realiza suas reuniões de gestão em coletivo. Finanças, organização da casa e sua dinâmica, estudos de campo (que são as vivências práticas na cidade) e campanhas de arrecadação de fundos são aspectos discutidos em grupo.

Sem título

O Cursinho Livre da Lapa organiza Sarais e encontros artísticos para promover arrecadações em prol dos estudantes que estão com dificuldades financeiras, entre outras possíveis pautas.

“A cabeça pensa aonde o pé pisa”.
Paulo Freire


Não podemos, porém, esquecer do objetivo prático dessa experiência autônoma de construção de educação libertária: a democratização das universidades públicas, através da inserção de pessoas das periferias em suas salas de aula, historicamente elitizadas


Desde suas fundações, todas as universidades públicas do país foram dirigidas e orientadas para o projeto capitalista meritocrático ‘de sempre’, incluindo as elites das grandes cidades em suas salas e criando uma condição segura para que as classes dominantes, assim, continuem dominando.

Para os guerreiros e guerreiras – estudantes e educadores/as – do Cursinho Livre da Lapa, isso tem que acabar. Hoje, uma das principais vertentes da luta pela democratização do ensino superior público se dá justamente pela instauração de cursinhos livres por todas as periferias da cidade. Sempre gratuitos, sempre voluntários, e sempre populares.

Entretanto, há de se observar com sobriedade a atual conjuntura, e considerar sempre a frase de Paulo Freire: “a cabeça pensa aonde o pé pisa”. Sendo assim, como muito dessa luta por uma educação libertária, trata-se de trabalhar o empoderamento imediato das classes mais pobres; tanto de seus processos econômicos e culturais, como de seus processos pedagógicos.

 

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