27 de setembro de 2015

‘Estamos aqui!’ Papo com o coletivo negro da PUC-SP


Em mais um programa de rádio Vaidapé na Rua, recebemos integrantes do coletivo de negras e negros da PUC-SP, NegraSô e batemos um papo sobre o racismo no Brasil e nas universidades


Por Guilherme Almeida

“Onde estão os negros da PUC?”. A dificuldade de responder essa pergunta foi responsável  pela auto organização de dezenas de negras e negros estudantes da PUC-SP para a criação do coletivo NegraSô. Na última segunda (21), duas integrantes do grupo, Juliana Carvalho e Jay Viegas, foram ao programa de rádio Vaidapé na Rua para falar da luta do grupo.

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A falta de espaço na instituição, a dificuldade de acesso e permanência e a mentalidade racista da meritocracia são obstáculos no caminho do coletivo na luta por uma universidade mais justa e inclusiva. “O grupo se reúne principalmente para debater e é a partir dos assuntos que surgem na conversa planejamos algumas ações”, explica Juliana. “Muitas vezes o simples fato da gente se reunir já é um acontecimento político na PUC”, ironiza Jay. “Só de juntar vinte pessoas negras em um só lugar da PUC, que é tão “branca”, já causa uma mudança na paisagem e na rotina”, elabora Jay.


“A realidade que a gente vê na universidade é parecida com a que se vê no congresso nacional e várias áreas do mercado de trabalho”


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O bloco “vaidapapo” começou pela polêmica envolvendo a “denúncia”, feita por um jornalista da revista Veja, de que o NegraSô invadiu e atrapalhou um evento realizado pela PUC Júnior, órgão ligado a Faculdade de Economia e Administração da instituição. Juliana colocou os pingos nos is e esclareceu como se deu a “participação” do NegraSô no “Debate sobre programas assistencialistas”, realizado no Tucarena no dia 15 de setembro.

| Leia a nota do coletivo sobre o episódio no Tucarena clicando aqui

A sub-representação dos negros e negras também foi assunto no programa. “A realidade que a gente vê na universidade é parecida com a que se vê no congresso nacional e várias áreas do mercado de trabalho”, responde Juliana quando perguntada sobre a escassez de docentes negros. O tema rapidamente se confunde com o debate acerca de ações afirmativas como cotas para vagas e bolsas destinadas a pessoas negras em universidades. “É uma questão de justiça, de reparação. Se pessoas negras são minorias em vários lugares e nós somos maioria da população algo tem que ser feito para equilibrar os números”, diz Jay.

Os dados são assustadores. No cenário da representação política a distorção da realidade demográfica brasileira ficou mais clara do que nunca em 2014. Nestas eleições, os candidatos e candidatas tiveram que informar sua cor ao Tribunal Superior Eleitoral. Apenas 3,1% dos eleitos em 2014 se auto declaram negros. Na Câmara dos Deputados, a proporção fica em 8,9% de parlamentares de pele negra, com 46 dos 513 representantes.


“É uma questão de justiça, de reparação. Se pessoas negras são minorias em vários lugares e nós somos maioria da população algo tem que ser feito para equilibrar os números”


Por outro lado, a população negra figura como a principal vítima de armas de fogo e de abusos e erros cometidos por forças de segurança. O Mapa da Violêcia de 2015 mostra que existe uma diferença de 142% quando se compara as mortes causada por amras de fogo de pessoas brancas e negras. Analisando os números da Polícia Militar de São Paulo, vemos que esses números estão diretamente ligados a atuação policial, já que a taxa de negros mortos por intervenção da PM é três vezes maior do que a dos brancos.


| O Vaidapé na Rua é transmitido ao vivo às segundas, às 20h, pela Rádio Cidadã FM. Na região do Butantã, o público pode acompanhar o programa sintonizando 87.5 FM, e no mundo inteiro através do site da rádio.

Música, debate e Vaidapé!

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