24 de setembro de 2015

Facción: Terceiro encontro de midiativismo latinoamericano


O Facción 2015 reúne 140 pessoas de 60 coletivos de mídia e movimentos sociais representando 20 países da América Latina


Por Patricia Iglecio
Fotos: Facción 2015

A terceira edição do Facción, encontro latinoamericano de midiativismo, está acontecendo em Motevideo, no Uruguai, entre os dias 23 e 26 de setembro. A abertura do evento contou com uma breve apresentação de todos os participantes e contextualização política dos países presentes.

Ao todo, o Facción 2015 reúne 140 pessoas de 60 coletivos de mídia e movimentos sociais que representam 20 países da América Latina, como Brasil, México, Argentina, Peru e Bolívia. Neste primeiro momento do encontro foram levantados temas como narcotráfico, conservadorismo e retrocesso na política institucional, militarização da polícia, democratização da mídia, fragmentação dos movimentos sociais, questões de gênero e raça, os direitos indígenas e crise econômica.

Muitas dessas pautas são comuns aos países presentes e evidenciam a necessidade da articulação de uma rede de coletivos latinoamericana. A terceira edição do Facción caminha nesse sentido: aprofundamento do debate sobre os temas levantados e cobertura colaborativa do evento. Todos os participantes estão envolvidos na construção dessa rede e na produção do evento, auxiliando desde os debates e atividades à preparação das refeições.

A primeira roda de conversa do Facción, que aconteceu na quarta-feira (23), contou com representantes do movimento uruguaio Pro Derechos e debateu a legalização da maconha no país. Martin Colazzo, militante do Pro Derechos, contou sobre o processo de mobilização da sociedade uruguaia e explicou como o contexto e as condições políticas do país permitiram essa conquista. O movimento Pro Derechos se formou em 2006 com estudantes, artistas e militantes que não se sentiam representados pela esquerda oficial.

“A legalização das drogas é um debate que está corrompido na América Latina pela narcopolítica. Legalizar a maconha não resolve este problema com profundidade, mas caminha para isso”

Martin Colazzo

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Em 2013, a campanha “Regulação Responsável” foi crucial para o entendimento da sociedade civil acerca da importância de legalizar a maconha e se baseou em três pontos fundamentais: legalização, saúde pública e segurança. Martin lembra que através da comunicação é possível “ensinar um milhão de coisas” à população. Neste sentido, um dos argumentos fortes da campanha foi o combate ao narcotráfico. A comunicação com a população foi tão efetiva que o sindicato dos médicos do país, inclusive, se demonstrou favorável à legalização.

Paralelamente à mobilização social, representantes do governo ligados a intelectuais e aos movimentos sociais idealizaram a forma legal para que isso acontecesse. Desde 1974, o porte de maconha é legalizado no Uruguai, porém a aquisição não, permitindo a manutenção do mercado negro de drogas para suprir a demanda. Essa contradição na lei também facilitou seu processo de reformulação.

Hoje no país, é possível adquirir maconha para consumo próprio através dos Clubes Canábicos ou de farmácias, e o auto-cultivo de até seis pés também é permitido. Para qualquer uma das modalidades, é necessário criar um registro específico no governo e pode-se adquirir até 40 gramas por mês.

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