15 de setembro de 2015

Intolerância religiosa: pai de santo é assassinado em Salvador


Um pai de santo assassinado em Salvador e dois terreiros incendiados no Distrito Federal, no último final de semana


Por Patricia Iglecio
Infografia: Jay Viegas

No último sábado (12) três atentados motivados pela intolerância religiosa deixaram um pai de santo morto e dois terreiros incendiados. Sizenando Jesus Carvalho, de 39 anos, conhecido como Pai Zal, foi baleado dentro da própria casa, na frente da mulher, no bairro Cristo Rei, em Simões Filho, região metropolitana de Salvador.

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Já no entorno do Distrito Federal, dois terreiros de candomblé foram incendiados durante a madrugada do mesmo sábado. Um caso ocorreu em Santo Antônio do Descoberto e o outro em Águas Lindas, ambos municípios goianos a aproximadamente 50 Km do DF.

“No Brasil, não estamos imunes a esse fenômeno [fundamentamentalismo religioso]. O crescimento do fundamentalismo cristão, liderado por um seleto grupo de pastores milionários sem escrúpulos, tem contribuído para reforçar preconceitos e espalhar discursos de ódio com graves consequências. Ano a ano aumenta o número de crimes de ódio contra a população LGBT, a expulsão de umbandistas e candomblecistas das favelas sob o controle de traficantes evangélicos, o bloqueio aos direitos sexuais e reprodutivos da mulher e a legitimação política de esquemas de corrupção e práticas incompatíveis com a democracia em todos os poderes. Nesse ano, eles tomaram por assalto, inclusive, a Câmara dos Deputados, com a eleição de um fundamentalista como presidente da casa.”, disse o deputado Jean Willys (PSOL) em uma nota na sua página no facebook.

Entre 2000 e 2010 o segmento religioso dos evangélicos foi o que mais cresceu no país, passando de 15,4% da população para 22,2%, segundo o IBGE. Isso equivale a um aumento de 16 milhões no número de adeptos, que chegou a 42,3 milhões em todo o Brasil, o que refletiu na política.

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A bancada evangélica conta hoje com 78 parlamentares e tem representação na presidência da Câmara, com Eduardo Cunha (PMDB). Se a frente parlamentar fosse um partido, seria o mais numeroso da Câmara Federal. Nas eleições de 2014, o PT elegeu 70 parlamentares, seguido do PMDB com 66 e PSDB, com 54.

Durante investigação realizada entre 2010 e 2011, a Relatoria Nacional para o Direito Humano à Educação constatou vulnerabilidade de crianças e professores adeptos a religiões de matriz africana nas escolas públicas brasileiras. Violência física, exclusão social e humilhação, além do afastamento de profissionais da educação adeptos ao candomblé ou umbanda e proibição da prática da capoeira e danças afro-brasileiras, foram observados pela relatoria. Neste processo, a intolerância religiosa é compreendida como racismo.

Ao mesmo tempo, o estudo aponta para o crescimento de educadores, tanto católicos como neopentecostais conversadores, que utilizam as escolas públicas e creches brasileiras para proselitismo religioso.