09 de setembro de 2015

Pixadores revitalizam muro de Escola Estadual em Osasco

Há mais de uma década sem manutenção, muro de Escola Estadual é pintado por movimento de pixadores em evento que uniu diferentes manifestações culturais e artísticas


Por Iuri Salles e Henrique Santana
Fotos: Henrique Santana

No último domingo de agosto (30), pixadores, grafiteiros e MCs se uniram em causa comum: revitalizar o muro da Escola Estadual Eloi Lacerda, em Osasco, região metropolitana de São Paulo. A intervenção foi realizada pelo MAPU (Movimento Artístico Periférico Urbano) que além de pintar a fachada de escola, organizou um evento regado de música.

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No topo do Terraço Itália, Xuim deixa sua marca Foto: Reprodução

Essa foi a primeira atividade do MAPU. O movimento é organizado por figuras com décadas de escaladas nos muros de São Paulo. Cripta Djan, pixador há 19 anos e grande referência na pixação, participou do documentário “Pixo” e atua também na produção audiovisual, tocando os projetos Escrita Urbana e 100Comédia. Ao seu lado na articulação está Xuim, outra lenda no mundo do pixo. Ainda nos anos 90, Xuin foi o primeiro pixador a deixar sua marca no Terraço Itália – um dos edifícios mais altos do Brasil.


O ROLÊ


Enquanto as latinhas de spray enchiam de cor os muros da escola, diversos shows de rap deram o tom sonoro do evento. Até o tradicional grupo Função RHK subiu no palco. Para quem esteve presente, o cachorro quente, pipoca e geladinho na faixa.

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O clima da festa foi de paz e confraternização. Pixadores de várias grifes, rappers e alguns grafiteiros se reuniram em prol da escola da comunidade e ainda conseguiram uma boa arrecadação de alimentos.


M.A.P.U


O MAPU vem se estruturando como uma organização política com o intuito de politizar os pichadores, sobretudo as novas gerações. “Estamos ensinando a galera da rua a fazer ativismo. É a parada de dar para receber. Porque esse negócio do pessoal só participar de algo em que eles estão ganhando alguma coisa, muitas vezes, torna o movimento presa fácil para esses políticos. Então estamos trabalhando uma ideologia diferente”, ressaltou Djan.

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Além de ações sociais e de conscientização, o movimento começa a atuar também na defesa dos pixadores. O próximo passo é a estruturação de um corpo jurídico, com a intenção de combater excessos por parte das autoridades policiais. “Muitos amigos meus já foram executados. A gente sabe da história, mas não tem nada que comprove isso legalmente. Infelizmente é muito comum o extermínio do jovem da periferia. Isso é uma realidade, não tem como ser negado”, lamenta Djan, fazendo referência as mortes protagonizadas pela polícia de São Paulo.

O pixador pontua também o papel do pixo como movimento que conteste a violência do Estado: “A opinião mais comum, por incrível que pareça, é de que vagabundo tem que morrer e já era. Então você vê que o sistema fez o jogo dele. Só que a galera do pixo está se ligando. São caras que estão na rua enfrentando o Estado no dia a dia, se manifestando e ocupando a cidade”.


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A RUA GRITA

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